Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 26/09/2021

Na série brasileira “Coisa mais linda”, a personagem Lydia sofria constantes agressões de seu parceiro e após se separar, foi morta por ele. Paralelo à ficção, casos de violência contra a mulher ainda demonstram-se como uma realidade no Brasil, sobretudo no período de quarentena, no qual a reclusão em domicílio causou a intensificação de conflitos e os meios de denúncia tornaram-se mais inacessíveis. Logo, é fulcral o debate acerca desse óbice a fim de impedir casos análogos ao de Lydia.

Decerto, a quarentena foi um cenário facilitador para os agressores aumentarem suas violências sobre as vítimas. Nessa perspectivas, a permanência diária das pessoas nas casas e a impossibilidade de buscar ajuda ou abrigo em outros locais permitiu que os casos se elevassem. Além disso, essa conjuntura colocou em risco pessoas mais vúlneráveis, principalmente crianças e idosos, pois não possuem meios de defesas contra pressões psicológicas e físicas. Tal estado de imponência corrobora a fala da filósofa Simone de Beauvoir sobre a qualquer sinal de perigo ou mudança na sociedade, os primeiros a perderem seus direitos são as minorias, nesse caso as mulheres brasileiras. Com isso, para refutar o pensamento da intelectual francesa é necessário maior rede de apoio para o corpo social feminino.

Ademais, a análise da ausência de dispositivos públicos para denúncia durante esse períodos faz-se essencial. Nesse ínterim, o estado de reclusão obrigatória impedia que as vítimas fossem para delegacias ou hospitais para efetuarem boletins ou exames que comprovassem as agressões. Isso desencadeou na ideia de impunidade para os agressores que não viam riscos para pararem com os atos ilícitos. Esse cenário é análogo à sociedade descrita no livro “O conto da Aia”, no qual as mulheres vivem em uma estrutura patriarcal opressora e sofrem com diversos tipos de violência sem a opção de punir os criminosos. Desse modo, políticas públicas que visem o apoio as mulheres em qualquer situação são imprencindíveis para impedir uma concretização da literatura na nação brasileira.

Infere-se, portanto, a violência contra a mulher como um entrave na garantia da seguridade da sociedade. Isso posto, cabe ao Ministério da Saúde oferecer apoio as vítimas de agressões durante a quarentena por meio de acompanhamento com psicólogas e casas de encontro com outras mulheres para o debate e conhecimneto acerca de todos os tipos de possíveis abusos, com objetivo de ajudar a reestabelecer a sáude mental delas e torná-las capazes de ajudar outras pessoas. Ademais, é dever do governo federal oferecer meios de denúncias facilitadores para todas a sociedade feminina por intermédio de canais de atendimento direto por ligação ou whatsapp disfarçados para a polícia de cada cidade  para o infrator não impedir o contato. Assim, casos como o de Lydia não serão frequentes.