Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 28/09/2021

Na obra literária “É assim que acaba”, escrita por Colleen Hoover, a personagem principal se encontra em constante conflito na adolescência, já que presencia diariamente as agressões de seu pai contra sua mãe. Todavia, fora dos limites ficcionais, o âmbito hodierno brasileiro não se mostra dessemelhante ao livro, uma vez que tal problemática se encontra no cotidiano de várias mulheres ao longo do território nacional, principalmente em tempos pandêmicos - caracterizada, majoritariamente, pelo machismo intrínseco socialmente e, consequentemente, agravada pelo alto consumo de bebidas alcoólicas ao longo do tempo de isolamento. Dito isso, necessita-se da tomada de ações em prol da evolução social.

Em primeiro plano, é visível como o patriarcado social, na maioria das vezes justificado por caracteres religiosos, é plangente para o Brasil até a atualidade. Com a colonização sendo de vertentes teológicas, é indubitável a sua respectiva influência acerca do ambiente comum, destacando a figura do masculino como fonte inegável de poder sobre a mulher, inferindo-a como um ser inferior. Outrossim, com esse óbice sendo discorrido pelo antropólogo Erwin Goffmann, dizendo que o feminino sempre foi associado à sexualização e a atributos depreciativos devido a influência religiosa, de modo que resquícios dessa visão se penduram até a atualidade; resultando assim, em mulheres acreditando que são inferiores e se submetendo a violências físicas e verbais, bem como homens crendo plenamente que podem agir de maneira violenta e totalmente desrespeitosa sem serem penalizados.

Em consequência, já com uma cultura que deteriora a visão do direito feminino, o uso excessivo de bebidas alcoólicas somente acentuam a infeliz realidade das vítimas de violência doméstica. Ademais, o consumo de bebidas com teor alcoólico aumentou mais de 93% durante a pandemia, enquanto comparado ao mesmo período em 2019, segundo uma pesquisa realizada pela plataforma “Compre & Confie”. Assim sendo, com a notável tendência de agressões sobre o efeito dessas substâncias, muitas famílias enfrentaram situações atrozes em seu meio, em decorrência da junção desses aspectos.

Isto posto, é dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos implementar fóruns de denúncia a respeito desses abusos, simultaneamente com o Ministério da Cultura investindo em obras, como filmes e novelas que abordem essa temática de uma maneira clara, buscando demonstrar apoio à vítima e propagando a existência desses fóruns. Dessa maneira, não só esses centros de procura seriam efetivos com a assistência desses meios de comunicação, mas também desassociariam o Brasil da escrita de Coollen Hoover.