Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 28/09/2021

Na novela brasileira ‘‘Fina Estampa’’, é abordado a realidade da personagem Celeste que é agredida diariamente pelo seu marido. Fora da ficção, é notório que esse cenário de violência doméstica é um problema que a sociedade enfrenta há anos e, atualmente, com a pandemia do Covid-19 e com o necessário isolamento social o quadro se agravou ainda mais. Logo, é preciso que medidas sejam tomadas para amenizar esse entrave que é agravado pela mentalidade machista que permeia os brasileiros e pela dificuldade de denunciar devido ao isolamento.

Em primeiro plano, vale salientar que o Brasil é um país historicamente patriarcal. Nesse contexto, a obra “Gabriela”, da década de 50 – do autor Jorge Amado – evidencia essa realidade ao narrar a história de um coronel que agredia sua esposa e que termina por assassiná-la. Hoje, apesar do “empoderamento” feminino, das diversas igualdades de gêneros já conquistadas e da Lei Maria da Penha sancionada, muitas delas ainda sofrem agressões verbais, físicas e psicológicas por parte de seus cônjugues. Assim, a pandemia e a necessidade de quarentena apenas trouxe à tona o machismo ainda incrustado no perfil de muitos brasileiros.

Além disso, é importante pontuar que o isolamento social impulsiona a dificuldade de denunciar. Em 2005, foi criado a Central de Atendimento à Mulher, um serviço gratuito de atendimento telefônico, para que a população brasileira, em especial as mulheres, pudesse receber orientações e denunciar casos de violência. Contudo, embora exista um canal de denúncia, o distanciamento social contribui com a dificuldade da vítima pedir ajuda, visto que, a necessidade da adesão a uma quarentena em épocas de pandemia, muitas vítimas acabaram por se tornarem reféns de seus agressores, por passarem mais tempo juntos aumentam as tensões no recinto familiar, gerando discussões que podem acarretar em agressões físicas ou psicológicas. Assim é demonstrado a dificuldade das mulheres fazerem denúncias durante o isolamento social.

Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas para que o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena sejam sanados. Assim, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, criar projetos que mostrem que as atitudes machistas não cabem mais no século XXI e que precisam ser modificadas, por meio de palestras, debates e informações divulgadas na mídia- como publicações nas redes sociais e propagandas televisivas- a fim de mudar a mentalidade machista que permeia a sociedade. Também, é importante criar e divulgar novas formas de denunciar em redes sociais, jornais e rádios para estimular o contato dessas mulheres com a polícia ou diretamente com a delegacia da mulher. Assim, espera-se evitar que a história do romance “Gabriela” continue a se repetir.