Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 04/10/2021

O conceito de entropia da Física mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências naturais, no que concerne ao debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarenta, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos na presente questão. Isto acontece devido a dois principais fatores: o machismo permeado na sociedade e a dificuldade de realizar a denúncia no período de isolamento social.

Em primeiro lugar, vale salientar que o Brasil é historicamente patriarcal. Esse modelo social é explicitado na obra “Gabriela”, de Jorge Amado, na qual relata como a sociedade era regida na época do coronelismo (1930-1960), pois os homens tinham total domínio sobre suas esposas, podendo até mesmo matá-las, sem receberem punição pelo ato. Contudo, na contemporaneidade, mesmo com leis que protegem as mulheres, a realidade delas ainda não é distante daquela narrada pelo autor. Isso porque a mentalidade do homem e da população em relação à mulher não mudou muito nos últimos anos, ela prevalece machista.

Em segunda análise, outro fator que corroborou o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena foi o convívio integral das mulheres com seus algozes. Logo, essas vítimas estão limitadas o que as impedem de pedirem ajuda. Além disso, visto que muitas delas têm medo da reação do marido, elas optam pela omissão, com a finalidade de tentar sobreviver. Entretanto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em muitos casos, não é esse o resultado, pois muitas dessas mulheres morrem vítimas de feminicídio em ambiente doméstico.

Portanto, o Ministério Público criar, ampliar e divulgar (via internet, rádio e televisão) canais rápidos e seguros de denúncia, aos quais as mulheres podem recorrer em caso de violência doméstica. Além disso, estimular o ato de denunciar, expondo os dados do IBGE, no fito de alertá-las. Paralelamente, promover nas escolas debates que abordem a necessidade de desconstruir o machismo. Assim o poblema poderá ser solucionado.