Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 20/10/2021
Um dos temas abordados pelo filme “O homem invisível”, de 2019, é a violência doméstica que a personagem principal sofre de seu namorado, o qual gera danos físicos e psicológicos à ela. Entretanto, não longe da ficção, os empecilhos demonstrados na obra tem aumentado na esfera nacional, e afeta principalmente mulheres e crianças no Brasil, pois essas são as principais vítimas da brutalidade domiciliar. Assim, torna-se necessário o debate desse problema social, o qual teve sua expansão derivada tanto do isolamento social quanto do aumento de consumo de álcool durante a pandemia.
Nesse contexto, há uma concepção machista, no Brasil, de que o homem é o líder da família, porque segundo essa ideia ele é o que trabalha e garante o sustento dos familiares, e por isso esses devem estar moralmente sujeitos ao chefe. Entretanto, tal convicção que foi descrita pelo sociólogo Gilberto Freyre, na obra “Casa grande e senzala”, sofreu pressões durante a pandemia, visto que muitos homens tiveram que se ausentar do serviço para cumprir o isolamento social. Logo, um dos fatores que tal fato acarretou, e que é uma consequência da ideologia machista, foi o aumento dos casos de violência doméstica, uma vez que os indivíduos ficaram mais tempo em casa e reproduziram a brutalidade patriarcal em seus familiares.
Ademais, do ponto de vista biológico, o álcool modifica o comportamento dos sujeitos, posto que altera as reações químicas que há na região cerebral de tomada de decisões. Nesse âmbito, em meio a pandemia de Coronavírus, o abuso dessa substância aumentou segundo a pesquisa divulgada pela Organização Pan-Americana de Saúde. Consequentemente, esse é um dos fatores que colaboraram com o aumento dos casos de violência doméstica no país no contexto da COVID-19, já que muitos cidadãos ao abusarem de bebidas alcoólicas possuem seus comportamentos modificados, o que pode levá-los a agredir seus familiares.
Portanto, a fim de coibir a violência doméstica, no cenário brasileiro, deve o Ministério de Segurança Pública, a partir de verbas estatais, ampliar órgãos responsáveis por receber denúncias e punir os violentadores, como a delegacia da mulher, de forma que a justiça seja amplamente realizada e os agressores recebam a pena necessária. Além do mais, deve a Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio de publicidades, em meio digital e analógico, divulgar canais de denúncia da brutalidade domiciliar e incentivar as pessoas a usarem esses. Dessa forma, esse problema social aumentado pela pandemia será combatido, dado que haverá maior recursos e denúncias envolvidos no combate.