Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 26/10/2021
Era esperado que os casos aumentassem durante a pandemia do novo coronavírus, no Brasil, o número de denúncias aumentou 34% entre março e abril do ano de 2020 em relação a 2019, segundo o Ministério da Mulher. É bem importante ressaltar que a pandemia não é responsável pela violência doméstica. Porém, essa pode ser uma consequência imediata de mulheres que estão em relacionamentos violentos e convivem por mais tempo com seus parceiros em um cenário de ameaça. Esse aumento nos casos de violência doméstica revela a fragilidade da lei e a necessidade de medidas complementares para combater esse problema.
Nesse contexto, a obra “Gabriela”, da década de 50 – do autor Jorge Amado – evidencia essa realidade ao narrar a história de um coronel que agredia sua esposa e termina por assassiná-la. Vale ressaltar que o Brasil é um país historicamente patriarcal, onde as mulheres sempre foram oprimidas e violentadas, hoje, apesar do “empoderamento” feminino, das diversas igualdades de gêneros já conquistadas e da Lei Maria da Penha sancionada, muitas delas ainda sofrem agressões verbais, físicas e psicológicas por parte de seus cônjugues.
Convêm lembrar, outra situação que agravou a violência doméstica durante o isolamento social é o fato de um maior convívio dessas mulheres com os seus agressores, o que pode ter potencializado sentimentos e aflorado problemas pré-existentes no leito familiar. Além disso, o distanciamento social contribui com a dificuldade da vítima pedir ajuda, visto que muitas delas não têm como se desvincilhar de seus agressores ou têm medo das consequências, optando, então, pelo silêncio. Em conformidade com o pensamento do filósofo Nick Couldry, um indivíduo sem voz pode se tornar invisível na sociedade.
Logo, cabe ao Ministério da Mulher, da família e dos Direitos Humanos, por meio de palestras, debates e propagandas, mostrar que atitudes machistas não cabem mais no século XXI e precisam ser modificadas. E ao sistema judicial revigorar punições para agressores de tal cunho, para que tais atos sejam cada vez mais desnaturalizados e condenados pela lei e pelo povo e assim, aos poucos, diminuindo a violência justificada pelo fenótipo de uma pessoa.