Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 24/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea pandêmica é o oposto do que o autor prega, uma vez que o aumento da violência domestica na quarentena apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da intensificação dos convívios no isolamento, quanto do crescimento excessivo do álcool. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primordialmente, é crucial pontuar que esse aumento da violência doméstica na pandemia deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que refreiem tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o crescimento excessivo do álcool torna as pessoas mais agressivas, acarretando diferentes meios de agressões: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Devido os isolamentos sociais, muitas mulheres também não conseguem fazer as denúncias, o que gera um número alto de subnotificações.

Ademais, é imperativo ressaltar a intensificação dos convívios como promotor do problema. Segundo o pensamento do filósofo Nick Couldry, um indivíduo sem voz pode se tornar invisível na sociedade. Partindo desse pressuposto, a tensão gerada tem potencializado sentimentos e aflorado problemas pré-existentes no leito familiar, assim as alternativas de denúncias se tornam precárias de modo que foi adotado medidas minimalistas para delatar esta prática. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o grande convívio contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas possíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Portanto, com o intuito de mitigar a violência doméstica na pandemia, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Mulher, da família e dos Direitos Humanos, por intermédio de propagandas, palestras e debates, saliente as formas de denunciar em redes sociais, jornais e rádios, a fim de estimular o contato das mulheres com a polícia ou a delegacia da mulher. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da violência doméstica, e a coletividade alcançará a Utopia de More.