Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 01/11/2021
A série americana “Maid” retrata a vida da personagem principal Alexandra Langley, vítima de violência doméstica e que faz de tudo para fugir de seu relacionamento abusivo junto com a sua filha. Não distante da ficção, hodiernamente, em decorrência do isolamento da pandemia do COVID-19, essa é a realidade de muitas mulheres que sofrem constantemente tanto com agressões físicas quanto psicológicas, já que o patriarcado e a negligência governamental figuram como desafios a serem enfrentados na sociedade contemporânea. Sendo assim, recomenda-se uma análise e a resolução dessas causas para o debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena.
Em primeira análise, vale salientar que o patriarcado é um reflexo do machismo instaurado na sociedade, e tal pensamento assusta, uma vez que a misoginia é manifestada na violência, objetificação da mulher e estupro. Desde a Antiguidade Clássica, na Grécia Antiga, os homens eram soberanos e a mulher era vista como submissa. Análogo a isso, nota-se que este cenário há de existir e faz com que os homens julguem normal tratar as mulheres de forma agressiva e opressora, consolidando ainda mais a sustentação ideológica patriarcal. Logo, se não houver ações preventivas, o óbice irá perdurar na sociedade.
Outrossim, convém frisar que, a falta de cuidado governamental é um fator determinante para a perseverança do infortúnio. Nesse âmbito, com a criação da Lei Maria da Penha, houve mais segurança para as mulheres, uma vez que a lei não só assegura sua proteção, mas também tende a punir os agressores de forma apropriada. Contudo, tais serviços e também regulamentações podem não agir tão eficaz e o isolamento torna-se perigoso para as mulheres ao conviverem com seus agressores e não terem como denunciar. Dessa forma, é urgente que a informação sobre o tema seja popularizada.
Em virtude dos fatos mencionados, urge, portanto, medidas operantes que visem reverter o aumento dos casos de violência doméstica na quarentena. Sendo assim, cabe à sociedade, reivindicar seus direitos e propor debates sobre como nossas ações são influenciadas pela predominância do patriarcado, a fim de promover a desconstrução de uma cultura machista e opressora. Ademais, cabe ao Governo, fiscalizar as leis que amparam as mulheres da violência doméstica, como a Lei Maria da Penha, a fim de proteger as vítimas de seus agressores e puni-los. Além disso, por intermédio de campanhas, é fundamental que a população reconheça casos de violência doméstica e ajude a denunciar, já que com as medidas restritivas do COVID-19 a vítima está muito mais exposta as agressões. Assim, tais ideais inalcançáveis não mais serão instrumentos de violência doméstica e a população saberá ajudar as vítimas.