Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/11/2021

A obra cinematográfica “Maid” está disponível na plataforma da Netflix e apresenta de forma explícita e sensível a grave realidade vivenciada por inúmeras mulheres, especialmente neste período de quarentena. Alex, a personagem principal, sofre violência doméstica, que se manifesta por meio de ameaças, manipulações e controle, evidenciando que a violência familiar não consiste apenas em agressões físicas. Assim, é notório que casos como o apresentado pela série são preocupantemente recorrentes e ocorrem sobretudo pela continuidade do histórico pensamento patriarcal e devido à subnotificação deste crime, fatores que levam a sérias consequências.

Nesse sentido, a mentalidade machista, ainda tão presente na sociedade contemporânea, está diretamente relacionada à propagação dos ideais do cristianismo, uma das maiores religiões do mundo, que defende a submissão e obediência das mulheres aos seus companheiros. À vista disso, inúmeros homens se sentem no direito de dominar e agredir de formas variadas, por se considerarem superiores. Ademais, seja por medo ou por desinformação, a violência doméstica continua sendo pouco notificada comparada aos incontáveis casos, fator que contribui com a manutenção do problema.

Dessa forma, conforme a psicoterapeuta e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, é comum que mulheres que sofrem com esse tipo de hostilidade desenvolvam ansiedade, depressão, fobia social e sérios transtornos alimentares. Esse cenário, muitas vezes, leva ao uso de álcool, drogas e medicamentos sem prescrição médica como forma de “fuga da realidade”, podendo ocorrer o desenvolvimento da dependência química. Além disso, as agressões físicas são extremamente perigosas, provocam danos diversos e, em casos mais graves, a morte da vítima.

Portanto, com vistas a proteger todas as mulheres, sobretudo neste período de pandemia, que contribui com a intensificação da convivência familiar, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promova maior empoderamento feminino com urgência. Isso deve ser feito por meio de grupos de discussão e promoção de palestras informativas, apresentadas por agentes da saúde, como psicólogas, e agentes da lei, como delegadas, em centros comunitários e em plataformas online, que apresentem os direitos já alcançados, depoimentos de vítimas e incentivem a denúncia, que pode ser realizada pelo número 180, para que, em breve, cenas como as apresentadas em “Maid” sejam apenas ficcionais.