Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 14/11/2021
A sociedade contemporânea funciona analogamente ao emaranhamento quântico, fenômeno físico interligador de partículas, de modo que qualquer alteração em uma delas impacta as demais. Nesse sentido, o aumento da violência doméstica durante a quarentena é um problema que afeta a dinâmica social e, por conseguinte, o desenvolvimento de todos os brasileiros. Dessa forma, urge a análise dos agravantes dessa questão, sobretudo o modelo arcaico de ensino e a falha na atuação do poder público.
Sob esse viés, é fundamental apontar o modelo tradicional do sistema educacional como impulsionador dos casos de violência doméstica no país durante a pandemia. Para Paulo Freire (educador brasileiro reconhecido mundialmente) a principal forma de mudar esse cenário é por meio da educação. Porém, nota-se um método de ensino arcaico ineficaz, o qual Freire intitulou de “educação bancária”. Nele, o aluno assume um papel passivo que não possibilita a autonomia e o protagonismo na construção do saber. Logo, ao servir de ``depósito´´ de informações do professor, quando discutido a importância de não utilizar a agressão para solucionar problemas, o indivíuo não internaliza as informações de maneira produtiva e torna-se suscetível a cometer violência.
Ademais, deve-se ressaltar a ineficácia dos aparatos governamentais que atendem às vítimas de violência doméstica; o canal de emergência é superlotado e a polícia demora para atender a ocorrência. Tal conjuntura, contraria os preceitos do artigo 6º da Constituição federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país -, o qual prevê o direito à segurança. Segundo as ideias do contratualista John Locke, essa omissão do Estado configura-se uma violação do ``contrato social´´ - instituído no Brasil por meio da Carta Magna -, uma vez que ele não está cumprindo o seu papel efetivamente.
Depreende-se, portanto, a necessidade de diminuir a violência doméstica no país. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação - órgão responsável pelas diretrizes de ensino do país -, por meio de uma alteração na grade curricular dos estudantes, acrescente a disciplina ``Cidadania´´ em todas as escolas do Brasil. Além disso, a fim de formar indivíduos que resolvem seus problemas de maneira diplomática, esse novo conteúdo de estudo deve utilizar a metodologia problematizadora, em que a fonte de conhecimento parte da discussão a respeito da violência doméstica entre os próprios alunos. Assim, o emaranhamento quântico social estará em harmonia.