Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 16/11/2021

O artigo 3° da Constituição Federal estipula como objetivo fundamental da República Brasileira o bem estar a todos, sem qualquer tipo de discriminação. No entanto, é flagrante o desrespeito a esse preceito constitucional, quando se constata que o país não tem respostas eficazes para questões que impedem o bem estar social. É o caso da violência doméstica que vem se agravando na quarentena. Por isso,é necessário que a violência doméstica seja discutida.

Primeiramente, é importante destacar que o imaginário coletivo distorcido sobre o tema agrava a situação. Muitas das vítimas não denunciam seus agressores com medo da sociedade voltar contra elas. Ancoradas em valores ultrapassados, muitas pessoas acabam por normatizar condutas altamente condenáveis sob o aspecto, a violência doméstica persiste no país porque é sustentada por uma visão de mundo preconceituosa que favorece as desigualdades que permeiam a sociedade brasileira.  Trata-se de uma conduta oposta às conclusões da filósofa Hannah Arendt, segundo quem, preocupa-se com a diversidade e com o entorno social que é um gesto vital à vida em sociedade.

Além disso, quarentena gera inúmeros empecilhos para aquelas que sofrem agressão e decidem denunciar. Segundo pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o números de casos de violência contra a mulher aumentou significativamente em todo o país nesse período de quarentena. Tendo como principais causas: o aumento do consumo de bebida alcoólica, o que colabora com brigas em casa; e as dificuldades das mulheres conseguirem fazer uma denúncia, devido a pandemia o horário de atendimento em delegacias estão mais restritos, o que gera o aumento do número de subnotificações.

Portanto, faz necessário que a violência doméstica principalmente na quarentena seja combatida. Para tanto, cabe ao Governo ampliar a divulgação de campanhas como “Sinal Vermelho” - campanha que permite que mulheres procurem ajuda em farmácias, através de um ‘X’ escrito na palma da mão - em todo o país. Isso pode ser feito por meio de parcerias não apenas com farmácias mas também com grandes redes de supermercados, como por exemplo, Supermercado ABC, Supermercado BH. Desta forma, espera-se que a violência doméstica diminua e que as vítimas possam ter uma vida mais feliz.