Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 13/03/2022
Durante o período de isolamento social no Brasil causado pela Covid-19, ficou clara a relação entre a quarentena e o aumento da violência doméstica. Inclusive, algumas autoridades já previam esse quadro ao se considerar problemas semelhantes, como o surto de Ebola em 2014. Infelizmente, no Brasil, a violência ainda persiste, e as razões, nos dois últimos anos, são o aumento da convivência no isolamento e o machismo estrutural. Diante dessa pespectia, cabe avaliar medidas para a solução desse cenário.
A princípio, com o distanciamento social causado pela pandemia, as famílias passaram mais tempo juntas, o que pode aumentar o estresse e uma possível violência doméstica. Por exemplo, no Rio de Janeiro as denúncias por esse tipo de violência cresceram mais de 50 por cento desde o início da quarentena no mês de março de 2020, segundo dados do Tribunal de Justiça do estado, sem mencionar os casos não registrados. Em razão disso, a cada dia, presencia-se a existência de uma sociedade mais machista e violenta.
Além disso, o machismo estrutural é o grande causador de violência de gênero e que ficou mais evidente durante a pandemia com o maior convívio entre as famílias. A professora Fernanda Victorino, licenciada em História e especialista em História da Bahia pela UEFS, afirma que, do ponto de vista teórico feminista, o machismo é fruto da cultura da casa, do lar, da criança, perpetuados pelos homens, mas também pela mulher. Esse cenário cria um círculo vicioso em que as crianças ensinadas assim perpetuam esse comportamento negativo.
Logo, mesmo com a flexibilização da quarentena, seus efeitos em relação à violência doméstica ainda perduram. Diante disso, é fundamental que a sociedade, ONGs e empresas se aliem a fim de criarem fontes alternativas de denúncias, através de aplicativos de delação, projeto de apoio às vítimas, entre outros, para que as mulheres violentadas tenham condições de se libertar. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação realize palestras e aulas gratuitas, a fim de haver um aprendizado nas escolas, famílias, entre outros, sobre formas de acabar com o machismo na sociedade e como ensinar as crianças. A partir dessas ações, espera-se promover uma diminuição dos casos de violência doméstica.