Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 28/06/2022
Na obra " A República", do filósofo Platão, em meados do século IV a.C, é expressa uma sociedade primorosa, na qual o corpo social é regido com harmonia e impera a justiça e bem-estar dos indivíduos. Fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena apresenta barreiras. Esse cenário antagônico é fruto de determinadas escolhas humanas perduradas ao longo da história. Assim, torna-se fundamental o debate desse tema a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro lugar, cabe salientar que o machismo histórico vigente na sociedade é uma das causas do problema. Essa realidade dá-se principalmente pela opressão e subordinação que o sexo feminino enfrenta desde a antiguidade. Ao analisar as primeiras civilizações humanas, como a Grécia Antiga, escravos e mulheres não eram considerados cidadãos na cidade, evidenciando na época supracitada, a superioridade do homem. Mais à frente, em 1891, a primeira constituição do Brasil fora criada e a exclusão da mulher no direito ao voto enfatizou mais uma vez a imensa lacuna que existia entre os dois sexos.
Do mesmo modo que outrora, atualmente, na mídia impressa e televisiva são difundidas histórias de violência doméstica que se agravaram com o isolamento advindo da pandemia do coronavírus. Ratifica-se essa afirmação com a pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), cujo tema: “Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia COVID-19”, exibiu que a violência contra a mulher triplicou em fevereiro de 2020, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Conclui-se que esse é um fenômeno social complexo que deve ser combatido.
Portanto, medidas devem ser tomadas. Para tanto, o governo federal deve formular estratégias que amparem as vítimas após a denúncia, oferecendo casas de apoio e ajuda financeira de acordo com a necessidade, a fim de proteger essas mulheres. Além disso, o Ministério da Educação deve promover a conscientização dos jovens, oferecendo palestras com profissionais capacitados sobre o assunto, a fim de formar futuros adultos conhecedores das leis e sensibilizá-los sobre a importância do respeito dentro da sociedade, independente do gênero disposto.