Debate sobre o complexo do “branco salvador”

Enviada em 19/07/2023

Em 2021, a cantora norte-americana Beyoncé ganhou o prêmio Grammy de melhor vídeo musical pelo clipe de “Brown Skin Girl”, no qual a figura feminina preta é representada como realeza, numa África pré-colonial e ao mesmo tempo futurista. A obra, então, foi considerada revolucionária ao refutar o estereótipo social de miséria vinculado a população negra, perpetuado por mentalidades como o complexo do “branco salvador”. Assim, cabe dissecarmos o racismo estrutural e a representatividade deturpada na indústria midiática como motrizes no ódice.

Sob essa óptica, vale abordarmos o poema “O Fardo do Homem Branco”, escrito por Rudyard Kipling, que defendia a “civilização” dos povos africanos através do neocolonialismo no século XIX. Desse modo, constata-se a raíz histórica da problemática, uma vez que, a noção de que minorias étnicas são inferiores e necessitam da intervenção da população branca para sua sobrevivência ainda é propagada na sociedade vigente. Dessarte, há a sobreposição de uma cultura em detrimento da outra, deslegitimando os saberes e valores etnicos.

Contudo, se a Academia do Grammy reconheceu a importância do trabalho de Beyoncé, outras sedes da indústria midiática ainda corroboram com a problemática. Em 2019, dois filmes sobre racismo concorriam a estatueta do Oscar de melhor filme do ano, sendo “Green Book” -que apresentava a temática do salvador branco- o vencedor da categoria. Diante dos fatos supracitados, conclui-se que ao continuar produzindo conteúdos como filmes, livros e músicas pautados em estigmas sociais, a mídia contribui para a disseminação de tais premissas e, por consequência, reforça sua validação ao premiá-los.

Portanto, é fundamental que os executivos da indústria do entretenimento, como os produtores de Hollywood, reavaliem suas composições a fim de evitar produções que remetam à perspectiva do complexo do “salvador branco”, através da promoção de obras inclusivas. Dessa maneira, a propagação desse estereótipo entre o corpo social diminuirá, e o reconhecimento de manifestações culturais advindas de minorias, como a arte visual de Beyoncé, tornar-se-á mais frequente.