Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 18/07/2023
No longa metragem “Histórias Cruzadas”, que se passa no meio do século XX, uma jornalista branca escreve um livro com histórias de mulheres negras que tra-balham como domésticas na casa de estadunidenses brancos, enfatizando a vio-lência por elas sofrida. Fora do âmbito cinematográfico, a história de luta dessas mulheres é verídica, mas suas histórias dificilmente são contadas,devido à invisibi-lidade sofrida por esse grupo. Dessa forma, a jornalista vem a ser a “branca salva-dora”, que acarreta o silenciamento, principalmente em decorrência tanto do racis-mo estrutural quanto do histórico de colonização.
Nesse sentido, é notável o papel do histórico colonial na prevalência da ideia de “branco salvador”. Tal fato ocorre devido à ideia de que caucasianos têm, como missão, de civilizar as sociedades mais rudimentares, sendo essas quaisquer comu-nidades fora da que eles consideram ideal. Com isso, é possível perceber diversas obras direcionadas para diversos públicos, como o infantil, que carregam a premis-sa de colonizado e colonizador, como o filme Pocahontas, onde o branco salva a protagonista (uma indígena) de um cenário “hostil”, na sua percepção. Logo, a pro-pagação de ideias desse teor tornam-se prejudiciais, fazendo com que os comuns tomem ideias racistas como verdades absolutas.
Como consequência, o racismo estrutural, advindo da disseminação de ideias retrógradas e de cunho colonial, torna-se cada vez mais presente no dia a dia de pessoas de cor. Assim, no filme “As Apimentadas”, a ideia de “branco salvador” é estilhaçada, quando a antagonista, líder de torcida negra, recusa a ajuda financeira da protagonista, branca, desejando ganhar o campeonato por mérito próprio, sem auxílio das ginastas brancas. Tal enredo mostra que, diferentemente de “Histórias Cruzadas”, o complexo de “white saviour” pode ser combatido por meio de veículos de comunicação.
Portanto, urge a necessidade de mitigar esse problema. Dessa maneira, cabe ao Estado promover, de forma didática e lúdica, juntamente ao Ministério da Educação, o incentivo ao consumo de mídias que valorizem culturas diversas, dissuadindo o uso de mídias que reforcem a ideia de que culturas não-brancas devem ser salvas e civilizadas por caucasianos.