Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 25/07/2023
A historiadora Beatriz Nascimento afirma que a história do Brasil é uma história escrita por mãos brancas, pois nas escolas só nos é ensinado o lado do opressor e jamais o do oprimido. Sob esta ótica, as versões do descobrimento do Brasil, terra que já era habitada por indígenas, e da abolição da escravidão devem ser revistas do lado dos oprimidos, visando questionar o ensinamento do ‘‘branco salvador’’.
Primeiramente, vale ressaltar que o termo ‘‘descobrimento’’ usado pelos brancos portugueses em relação ao Brasil é errôneo, visto que a terra já era habitada por diversas tribos indígenas. De maneira análoga a isso, a frase da música ‘‘índios’’ do grupo brasiliense Legião Urbana: ‘‘Nos deram espelhos e vimos um mundo doente’’ explicita o sentimento indígena de ter suas terras invadidas, sua inocência explorada e seu povo enfermo de doenças europeias. Assim, o ensino do descobrimento do país parte do princípio daqueles que invadiram uma terra já descoberta, ignorando todas as culturas e saberes locais, educando a população apenas sob o ponto de vista do colonizador.
Cabe, também, destacar outro grande equivoco do saber popular brasileiro: a escravidão acabou somente por conta da assinatura da lei áurea em 1888, pela princesa Isabel. Esta afirmação nega todas as diversas revoltas por parte dos escravos em busca de liberdade, negligenciando todas as vidas perdidas neste processo que demorou tanto para acontecer e colocando todo o mérito nas mãos da elite vigente da época. Segundo o site BBC, em 2021 houve um pedido de canonização da princesa Isabel por ter assinado a lei áurea, evidenciando o descaso do povo brasileiro com a própria história, afinal os verdadeiros heróis que conquistaram a abolição foram os próprios negros escravizados.
Portante, vê-se necessário medidas que visem o reconhecimento dos povos que foram oprimidos na história do país. Cabe, então, ao Ministério da Educação revisar as bases de conhecimento em todas as escolas do país, trazendo o lado do povo negro e indignas aos livros e as salas de aula, por meio de uma reforma de base na disciplina de história, visando promover o devido mérito a esses povos. Somente assim, a frase de Beatriz Nascimento não ira mais representar a realidade do nosso país.