Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 23/07/2023
No final do século XIX, o poema do escritor britânico Rudyard Kipling, entitulado “O fardo do homem branco”, expressava a ideia de que os povos africanos, considerados inferiores, deveriam ser salvos em uma “missão civilizatória” empreendida pelos brancos europeus. Atualmente, essa espécie de complexo de salvação ainda se faz presente no imaginário de parte da população branca, inclusive no contexto brasileiro. Nesse sentido, deve-se discutir as origens desse pensamento, bem como as consequência por ele ocasionadas.
Inicialmente, vale ressaltar as raizes históricas do complexo do branco salvador no Brasil. Sob essa perspectiva, trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha – primeiro documento regidido no país no início da colonização – evidenciam o desejo dos portugueses de impor seus costumes e modos de vida aos indígenas com a justificativa de que isso salvaria os nativos da bárbarie e da selvageria. Logo, percebe-se que a ideia de os brancos possuírem “dever civilizatório” para com as outras raças se origina nos primórdios da ocupação europeia no Brasil e se extende à atualidade contra diferentes grupos étnicos.
Ademais, é indubitável que esse cenário traz impactos negativos na vida das minorias raciais. Nessa linha de raciocínio, segundo o advogado polonês Raphael Lemkin, os processos de colonização são intrinscecamente genocidas. Essa análise explicita a incoerência da visão do salvador branco, visto que, tanto no caso da colonização portuguesa no Brasil quanto no caso do imperialismo europeu do século XIX nos países africanos, as ideias eurocêntricas levaram ao extermínio das populações locais e à destruição de culturas nativas. Essa realidade é demonstrada pelo dado, divulgado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), de que 70% da população indígena brasileira foi assasinada durante o período colonial.
É, portanto, necessário que se tomem medidas para solucionar a problemática apresentada. Para tal, o Ministério da Educação – agente responsável pela fomação cidadã – deve promover a discussão sobre o tema em escolas e universidades, por meio de debates e palestras, com o objetivo de educar a população sobre o problema do complexo do branco salvador e, dessa maneira, desconstruir os ideais eurocêntricos que prejudicam os grupos raciais minoritários no Brasil.