Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 23/07/2023
Ao se analisar o processo histórico de formação das nações européias modernas um elemento comum liga todas elas, o imperialismo e as consequências que ainda perduram no século XXI. Buscando uma reconciliação e desconstruirem a imagem de seus antepassados os europeus contemporâneos acreditam que o simples apoio e filantropismo de suas partes seja o suficiente como forma de auxiliarem as nações previamente afetadas. Porém, não seria esse apoio cego e unidimensional uma forma de submeter estas outras nações? E o que poderia ser feito para mudar essa relação não somente no campo econômico, mas também político?
O estudioso Franz Fanon em “Condenados da Terra” argumenta que: " Os colonizadores não somente dominam o território e bens de um povo, mais também suas consciências e valores", ou seja, é possível argumentar que o passado colonial exerce influência ainda atual na percepção e reconhecimento dos brancos sobre os negros, que mesmo que não ajam de maneira preconceituosa ainda repetem erros ao enxergarem os povos de outras etnias como incapazes de se desenvolverem sozinhos, acreditando que ainda possuem um dever a ser pago pelo passado.
Todavia, ironicamente estas mesmas nações acreditam que o simples filantropismo e atividades de ONG’s sejam uma maneira satisfatória de prestar auxílio a demais nações, ao mesmo tempo que não conseguem enxergar que o atual modelo econômico não permite isso. Vladimir Lênin em “Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo” debate que o centro do capital (Europa e EUA) terão seus mercados expandindo para além de suas fronteiras, irão suprimir a cultura e produtos de outras nações e estabelecerem os seus no lugar em nome do lucro e da acumulação, ou seja, não existe realidade que permita que todas progridam.
Portanto, o debate sobre o “branco salvador” passa pelo campo político e econômico, mas também cultural! Países como Brasil, África do Sul e outras forças emergentes devem buscar preservar seus antepassados com políticas culturais voltadas para cultura e formação histórica de suas populações, revivendo sua história, afim de permitir e ampliar novas visões de mundo e de trabalho que os torne soberanos na divisão internacional do trabalho. Desta forma, o “branco salvador” só será desconstruído quando uma visão inclusiva poder o substituir.