Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 26/07/2023
Bondade e majestosidade
Pedro Américo foi um importante pintor renascentista dos anos de 1880, conhecido por retratar o grito da independência do Brasil em seu famoso quadro “independência ou morte”. Como as obras da época, suas pinturas costumavam a retratar pessoas brancas bem vestidas em atos “majestosos e bondosos”. No entanto, muitas vezes estes feitos eram e são, ainda, tidos às custas de outros povos, caracterizando o que se chama, hoje de “complexo do ‘branco salvador’”.
Primeiro, é importante frisar o que é o complexo de “branco salvador” e seus impactos na sociedade. Este complexo nada mais é que pessoas brancas tomando o lugar de fala de outros povos ou subjugando-os em prol de sua imagem heroica. É o que Pedro Américo retrata em sua obra “A libertação dos escravos”, na qual retrata anjos e outras figuras de salvação como pessoas brancas de vestes pomposas e poses grandíloquas, parecendo ser beatificados diante dos escravos libertos. Dessa forma este tipo de “cultura da branquitude” afoga histórias de outras etninas, sempre colocando o padrão do homem branco acima de todas.
De fato, pessoas praticam a caridade não apenas para elevarem sua imagem, mas realmente crendo na bondade do ato, sem notarem a hipocrisia ali velada. É nesse sentido que muitos famosos de pele branca, como Bruno Gagliasso e Madonna, recorrem à adoção de crianças, não só negras, como africanas, com a premissa de ser um ato benevolente em prol da humanidade, mas ignorando o fato de haver crianças abandonadas em seus próprios países. De acordo com o Instituto Geração Amanhã, só no Brasil há cerca de 34 mil crianças em abrigos. Assim, o que era pra ser uma ação filantrópica se torna, na verdade, um “bom-mocismo” explorado por brancos
Fica nítido, portanto, que a síndrome do “branco salvador”, há séculos, sufoca o existir de povos não-caucasianos. Assim, o Ministério da Educação (MEC) deve fazer parcerias com ONG’s abrindo espaços nas escolas para que representantes étnicos tragam debates, palestras e literaturas que dêem visibilidade às suas versões das histórias contadas nos grandes livros de história. Dessa maneira, todos terão espaço para contar e, principalmente, ouvir a voz de cada um.