Debate sobre o complexo do “branco salvador”

Enviada em 15/08/2023

Durante o século XIX, no imperialismo europeu, surgiu a ideia de evolucionismo social. Este, utilizou de artifícios biológicos para tentar justificar a dominação e exploração do europeu, visto como superior, sobre os povos inferiores (Ásia e África) através da ‘Missão Civilizadora’ que o homem branco possuía para com os outros povos. Paralelamente, o complexo do ‘branco salvador’, ainda persiste, seja pela necessidade de ser um item na resolução de problemas, seja pela exposição midiática de situações de miséria que perpetuam esse pensamento.

A priori, é válido reconhecer como a exposição em fotos e vídeos é capaz de perpetuar a situação. Em 2020, a ex-BBB Rafa Kalimann postou nas redes sociais fotos sorrindo em contraste a população em miséria e sofrimento durante uma viagem à África. A partir daí, o contexto fortalece o estereótipo que o continente é miserável e necessita de intervenção. Por conseguinte, percebe-se que o maior objetivo não é empatia, mas a satisfação pessoal. Logo, admite-se que a maior recompensa para o branco é a sensação de herói.

A posteriori, vale salientar que o ‘Fardo do Homem Branco’, ideal imperialista, apesar de implícito, ainda existe. Essa expressão, originada em um poema do Século XIX, reforça a missão do branco de levar o desenvolvimento aos locais ‘menos civilizados’. Assim seria negligente não notar que, por conta de postagens, como a supracitada, há a perpetuação da ideia do indivíduo branco como item revolucionário indispensável, além da exposição indiscriminada de corpos pretos e asiáticos, o que remete a necessidade de intervenção.

Infere-se, portanto, que o complexo do ‘branco salvador’ exige medidas capazes de amenizar seus impactos. Logo, é importante que ONGs e projetos humanitários orientem os participantes sobre os impactos de postagens, além de dar apoio judicial aos indivíduos expostos e prejudicados. Na esfera educacional, palestras desde o ensino fundamental devem propor a empatia e consentimento em relação a captura de mídia alheia. Além disso, as palestras devem dirigir ao aluno a quebra de estigmas e estereótipos como o de homem branco como principal agente nas lutas sociais e raciais. Dessa forma, os indivíduos, desde cedo poderão ampliar o senso crítico e sobrepor a empatia ao paradigma imperialista enraizado.