Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 17/08/2023
Em “Ideias para adiar o fim do mundo”, célebre obra do escritor brasileiro e líder indígena Ailton Krenak, o autor aponta que os colonizadores foram os responsáveis pelo extermínio de povos originários no continente americano. A partir de uma analogia entre o passado e a realidade contemporânea, é necessário destacar a teoria do “branco salvador” como sendo um dos causadores pelos desafios sociais. Deste modo, torna-se fundamental a discussão sobre o protagonismo exacerbado da população branca no Brasil e os impactos negativos de tal problemática.
A princípio, é crucial comparar o complexo do “branco superior” com o eurocentrismo, tendo em vista, que as duas concepções tiveram um fundamento na Europa. Conforme o psiquiatra e sociólogo Frantz Fanon, o eurocentrismo destruiu culturas, já o colonizador acabou com vidas. A frase do autor possibilita uma análise crítica da adversidade apresentada. Logo, é indubitável ressaltar que historicamente, o branco se pusera como superior aos demais grupos étnicos e à ele foi atribuído o título de soberano.
Além disso, é importante salientar os impactos negativos desse quadro na nação brasileira. A eugenia, a cultura do branqueamento e o etnocentrismo são algumas das consequências acarretadas por uma ideia racista e escravocrata, devido a titulação do “branco superior e salvador” que perpétua na atual sociedade. Sob essa ótica, é de extrema urgência a intermediação do cenário mencionado para que não ocorra uma maior proliferação dessa mazela.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento, promover a criação de ações afirmativas que visam mitigar tais recorrências. Por meio da formulação de projetos em instituições de ensino básico e superior, com o intuito de realizar debates sobre as diferenças raciais, a fim de propagar a empatia e respeito dentro e fora da sala de aula. Nesse viés, o corpo social se distanciará da narrativa relatada em “Ideias para adiar o fim do mundo”.