Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 31/08/2023
No filme, “Tintim no Congo”, é representada a perspectiva do homem branco como salvador da humanidade, de modo a categorizar com inferioridade a população africana. De modo similar à ficção, o ideal de supremacia branca ainda reverbera na sociedade, necessitando, assim, de uma análise profícua. Assim, convém analisar as raízes históricas dessa prática e as suas consequências.
Nesse sentido, é válido ressaltar que tal pensamento difundido se configura intrínseco à historiografia. Ocorre que, desde o período de neocolonização, fora difundido o papel do branco europeu como responsável por levar o progresso às demais sociedades, o que explica, de fato, o baixo reconhecimento do indivíduo negro e suas potencialidades. Logo, é perceptível como essa concepção de subalternidade prevalece na contemporaneidade.
Ademais, é de suma dissertar acerca dos efeitos culminados pela ideologia eurocêntrica. Segundo os dados do IBGE ( Instituto Brasileira de Geografia e Estatísticas), ainda que representem mais de 50% da sociedade, os afrodescentes ocupam menos cargos de ensino superior e são menos remunerados em relação aos não negros. Isso decorre devido ao preconceito estrutural, que, de modo imperceptível, segrega os indivíduos com base no seu tom de pele.
Portanto, tendo em vista aos fatos supracitados, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Educação, fomentar o discurso acerca da exclusão da negritude, devendo ser efetuado por intermédio das mídias sociais, tais como o instagram e o tik tok, a fim de reverter as noções equivocadas da inferioridade negra, visto que, seus efeitos resultam no baixo reconhecimento de sua capacidade. Assim, aternuar-se-à a ideia do branco salvador, indo de encontro ao contexto do filme de Tintim.