Debate sobre o complexo do “branco salvador”

Enviada em 13/09/2023

O filósofo Francis Bacon afirmava que o comportamento humano é contagioso e tende a ser enraizado. Tal perspectiva vai ao encontro da atitude de pessoas brancas que, por serem influenciadas pela sociedade, fazem caridades para pessoas pretas e querem ser vistas como heroínas. Tal complexo inferioriza negros e se apresenta como um problema social. Assim, cabe-se debater como a negligência estatal e a inércia coletiva corroboram tal revés.

Sob tal ponto, Thomas Hobbes defendia que o governo tem a responsabilidade de garantir o bem comum. Contudo, isso não é característica dos estadistas atuais, uma vez que eles não tomam medidas plenas para combater o complexo do “branco salvador”. Isso fica claro na falta de investimentos em universidades para a formação de professores que tratem de temas tranversais nas escolas e possam fomentar os alunos não negros a não perpetuarem a prática do “branco salvador”. Consequentemente, como os professores fornecem apenas uma educação conteudita, pessoas brancas não conscientizadas se mostram como heroínas e inferiorizam quem foi ajudado em fotos que postam nas redes sociais.

Além disso, a falha social é outro potencializador do entrave. Nessa lógica, Djamila Ribeiro argumentava que os males sociais precisam ser expostos para que soluções sejam propostas. Todavia, há um grave silêncio instaurado na questão do complexo do “branco salvador”, já que pouco se fala sobre o assunto em grupos sociais e na mídia. Tal fato gera a invisibilização da temática e, como há pouco debate popular que pressione os governantes, a efetivização de políticas públicas educacionais que combatam tal imbróglio é dificultada. Por conseguinte, o indivíduo branco continua buscando ser reconhecido como um salvador.

Entende-se, portanto, que fatores políticos e coletivos contribuem para a problemática. Logo, o Ministério da Educação, como órgão de Poder Executivo, deve, por meio de palestras nas instituições de ensino, influenciar os estudantes a não buscarem ser brancos salvadores, mas, sim, lutarem contra tal complexo. Tal ação terá efeito de conscientizar os estudantes. Ademais, a sociedade deve pressionar os estadistas para que tal ação seja tomada rapidamente. Desse modo, o impasse será minimizado.