Debate sobre o complexo do “branco salvador”

Enviada em 05/03/2024

O livro “Menino de Engenho” retrata o mundo após o fim da escravidão, no qual, os senhores de engenho que continuaram aceitando os trabalhadores ex-escravizados eram considerados salvadores. A realidade, porém, demonstra como a classe branca elitista se aproveitava de tais situações para explorar a força de trabalho dos negros a preços pífios. Nessa perspectiva, criou-se a necessidade de debater sobre o completo do “branco salvador” e como ele foi usado durante a história para tirar proveito dos marginalizados.

Primeiramente, é válido ressaltar que por muito tempo a pobreza vem sendo usada para gerar lucro e mídia as celebridades, seja através de falsos passados de pobreza ou doações com o intuito de ganhar visibilidade. Da mesma forma, durante o século XX, ganhou relevância o ramo fotográfico da denúncia, no qual profissionais, como Sebastião Salgado, expunham a mídia o sofrimento dos marginalizados em troca de fama e dinheiro. Consequentemente, o foco de tais fotografias passa a ser apenas capitalista, o que corrobora na romantização da miséria e desamparo dos pobres.

Ademais, convém destacar que o ideal do “branco salvador” provém de uma falta de visibilidade na mídia a populações menos abastadas, como os indígenas. Por conta disso, gera-se uma dependência na “piedade” daqueles mais abastados em realizar doações e repercussão as suas situações. Diante disso, as produções cinematográficas cada vez mais produzidas tem dado a devida voz a tais problemas, mobilizando a população a ajudar, como o filme “Destinos à Deriva”, que retrata as dificuldades sofridas pelos imigrantes.

Portanto, com o objetivo de propiciar o devido auxílio as populações invisibilizadas, é necessário que o Governo Federal, através do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania direcione verbas para a realização de uma parceria com os países vizinhos na criação de um órgão que combata a pobreza e a fome, por meio de programas sociais e acesso à educação, auxiliando sua inserção na sociedade e dando voz a seus problemas. Assim, o país se verá livre do estereótipo do branco salvador e auxiliará o desenvolvimento os cidadãos.