Debate sobre o complexo do “branco salvador”
Enviada em 06/03/2025
O termo “racismo estrutural” é empregado pela escritora Djamila Ribeiro como um processo de invisibilização de afrodescendentes na sociedade brasileira. À vista disso, é notável o “apagamento” das iniciativas negras e, em contrapartida, a valorização da imagem do homem branco nos processos históricos. Logo, é imperioso o debate sobre o complexo de “branco salvador”.
Em uma primeira análise, vale destacar os danos causados à África pelo homem branco com seu suposto ideal ao progresso. Historicamente, no século XIX, a colonização europeia no continente africano tinha como pretexto a “missão civilizadora”, em que eles levariam o desenvolvimento à África. Todavia, a intenção real dos colonizadores era obter matérias primas e mercado consumidor para a incipiente Revolução Industrial que acontecia nos países europeus. Nesse âmbito, eles não apenas expoliaram vários bens minerais da África, como espalharam miséria e traçaram fronteiras de forma totalmente arbitrária. Dessa forma, o homem branco tinha como objetivo a exploração de recursos dos países africanos e o discurso civilizatório era apenas uma justificativa distorcida dos reais eventos.
Ademais, cabe salientar a tardia abolição da escravidão realizada no Brasil. Nessa perspectiva, a Lei Áurea, documento responsável pelo fim definitivo da escravatura no país, foi assinado em 1888, de maneira que o Brasil foi o último país da Ámerica a realizar a abolição. Sob esse viés, a personificação do ato na imagem da princesa Isabel, apesar de todos os méritos, ofuscou os movimentos em prol da liberdade de escravos, como o do quilombo de Palmares e do advogado de escravos, Luiz Gama, que tiveram papeis fundamentais no movimento de abolição da escravatura. Assim, a adoção da imagem de figuras brancas nesse processo deve ser analisada criticamente, com a finalidade de não o tornar reducionista.
Portanto, é essencial a reinterpretação de importantes acontecimentos acerca do mito do “homem branco salvador”. Para tanto, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve ampliar os investimentos no ensino brasileiro, mediante a implementação de uma educação crítica, em que o papel dos negros na história seja devidamente valorizado, com o intuito de combater preconceitos e formar uma sociedade mais consciente da história de seu povo e nação.