Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 28/08/2020

O artigo 205 da Constituição Federal de 1988, pressupõe que é dever do Estado e da família possibilitar a educação para o indivíduo, a fim de que seja exercido sua cidadania. Desta maneira, a educação é de suma importância para o desenvolvimento humano em sociedade, sendo a escola, um dos principais agentes neste processo, que infelizmente encontra-se fechada na contemporaneidade por conta da quarentena do COVID-19. Devido à esse afastamento dos indivíduos, o processo educacional, que propõe além do aprendizado, uma forma de socialização entre os professores e alunos, encontra-se comprometido, ocorrência intensificada nas regiões periféricas, se tornando uma das responsáveis para a perpetuação da estrutura desigual brasileira.

Em primeira análise, segundo o psicólogo Jean Piaget em sua teoria “psicologia do desenvolvimento”, o contato entre diferentes entendimentos de mundo, proporcionado principalmente pelo ambiente escolar, atua na construção do sujeito. Assim, é indubitável que a postura crítica do indivíduo tem como fundamento a educação transformadora, aquela pautada no conhecimento formulado não “para o aluno”, mas “junto do aluno”, ou seja, do conflito de opiniões e exposições. Entretanto, devido ao cancelamento das aulas presenciais por conta das restrições pandêmicas, optou-se pelo ensino remoto, afastando não só o educador dos alunos, mas o próprio contato diário dos mesmos, tornando o aprendizado mais passivo - sem a total participação do estudante, que pode ocasionar no desinteresse ou surgimento de dificuldades no entendimento do conteúdo explanado.

Somado a isso, o despreparo das instituições escolares e governamentais frente à esta adaptação online, contribui para a ampliação da precarização educacional, já presente na realidade brasileira. A exemplo disso, tem-se a falta de experiência do corpo docente com o ensino remoto - o que prejudica a qualidade do ensino, além do fato de que o acesso à internet e às ferramentas digitais não é pleno no Brasil, prejudicando ainda mais o estudante em condições de vulnerabilidade. Isto se manifesta como uma “violência sistêmica”, que segundo o filósofo Slavoj Zizek, é aquela perpetuada pela estrutura de um sistema, sendo um reflexo e possibilitando a continuidade da desigualdade social.

Nessa conjuntura, mostra-se necessário que o Ministério da Educação forneça meios de acesso à educação à distância para pessoas com vulnerabilidade, por meio de auxílios monetários e doação de computadores, além de fornecer cursos - fora do horário de aulas -  para professores sobre a metodologia do ensino a distância, com o objetivo de reduzir a precarização educacional. Além disso, cabe as instituições escolares, a garantia de um período de tempo das aulas, para a discussão - entre os alunos e professores - dos assuntos tratados, para que ocorra a socialização dos mesmos.