Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 28/08/2020
Para o educador brasileiro Paulo Freire, a educação quando desigual agrava os problemas sociais. Estes problemas descritos pelo pensador são evidentes no contexto em que o Brasil se encontra. Com o advento da pandemia e a obrigatoriedade do isolamento social, as desigualdades no sistema educacional e seu papel essencial na formação dos cidadãos são cada vez mais nítidos.
Primeiramente, o novo contexto em que o país e o mundo se encontram forçaram a adaptação das instituições de ensino à promoção da educação a distância. Não obstante, algumas delas se sobressaem sobre as outras nesse quesito. De acordo com o IBGE, cerca de 40% da população não tem material adequado (computador e acesso à internet) e tem sua formação acadêmica prejudicada, corroborando numa ampliação das desigualdades entre os dependem da iniciativa pública e os que conseguem pagar pelo ensino particular.
Em segundo plano, a escola desempenha papel social no desenvolvimento do estudante enquanto pertencente à uma sociedade. Ao contrário do que se verifica em alguns períodos históricos, como na Idade Média, a educação hoje não pode mais se restringir a um grupo particular da sociedade. Atualmente, sua atuação é essencial para a acepção de valores de cidadania, convivência social e respeito às diferenças. Por conseguinte, abalos na sua estrutura comum (dada de modo presencial e coletiva) ainda que necessários neste período são danosos à sociedade.
Destarte, veêm-se necessárias intervenções a fim de amenizar esses impactos. Para melhor promover a educação durante a pandemia, urge que o Ministério da Educação, junto ao IBGE, identifiquem os estados mais afetados pela falta de equipamento e possibilitem a adequada acepção do ensino a distância por meio da distribuição de computadores e cabeamento de internet. Com efeito, o estado poderá amenizar as desigualdades educacionais sem prejudicar o isolamento social necessário ao combate da pandemia no Brasil.