Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 28/08/2020

Parafraseando o educador e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa ótica, percebe-se a relevância de um modelo educacional qualitativo para a plena transformação da realidade. No entanto, com a ascensão da pandemia de Coronavírus (COVID-19) em 2020, as dificuldades na educação brasileira cresceram de forma progressiva, ora pelas desigualdades socioeconômicas, ora pela negligência governamental.

A princípio, é imperativo pontuar que as disparidades regionais geram impasses para a execução efetiva do Ensino à Distância (EaD). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25% da população brasileira não possuem acesso à internet, sendo a maioria dessas pessoas localizadas na zona rural. Dessa maneira, a irregular distribuição de infraestrutura tecnológica entre diversas territorialidades, causada pela baixa disposição de recursos financeiros, constitui um empecilho para a democratização educacional em períodos de pandemia.

Outrossim, é válido averiguar que a Constituição Federal de 1988 assegura o direito à educação de qualidade a todos os cidadãos. Entretanto, tal preceito jurídico faz-se pouco eficaz em metodologias práticas, devido à falta de engajamento do Poder Público no que tange à projeção de ações que minimizem os impactos da enfermidade de COVID-19 no setor educativo. Por consequência, a parcela socioeconômica menos favorecida é mais afetada pela inércia governamental, o que torna mister a viabilização de medidas corretivas para amenizar o quadro.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar o panorama socioeducativo hodierno. Portanto, compete ao Governo Federal, por meio de parcerias público-privadas, implementar um projeto nacional de distribuição de recursos financeiros e tecnológicos em regiões mais carentes, como computadores, tablets e disponibilização de internet de fibra ótica. Isso deve ser feito mediante o apoio econômico de empresas colaboradoras, em troca de isenção parcial da carga tributária. Tal ação tem como intuito reduzir as disparidades de acesso à educação digital, bem como reduzir os impactos da pandemia no setor. Assim, será possível a aplicação prática da máxima exposta pelo educador Paulo Freire.