Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 08/09/2020
“O novo sempre despertou perplexidade e resistência.” Essa afirmativa do psicanalista Sigmund Freud pode facilmente ser aplicada ao debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira, na medida em que a forma de ensino adaptada à crise do coronavírus encontra entraves na sociedade. Essa situação é resultado inegável da mentalidade conservadora da população no uso das novas novas tecnologias como ferramenta de ensino. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar essa problemática, pôde-se destacar o sistema educacional retrógrado e o conhecimento tecnológico como símbolo de poder.
Primeiramente, é evidente que a forma de ensino padrão, somada ao pensamento conservador dos cidadãos com o meio virtual, alicerça o quadro de consequências no aprendizado devido à pandemia. É incontestável que esse cenário advém do ideal pragmático na educação, em que o ensino é técnico e padronizado, sem individualizar estudante, o qual sem essa adaptação às novas tecnologias e domínio próprio na busca pelo conhecimento não consegue se desvincular das aulas presencias. Essa realidade se assemelha ao que educador Paulo Freire escreveu em seu ensaio ‘’Pedagogia do Oprimido’’, de que a educação convencional não fornece autonomia ao indivíduo, o qual com modelo de ensino à distancia (EaD), adotado na pandemia, precisa tornar-se participante ativo na formação.
Além disso, é indubitável que o monopólio sobre o uso das tecnologias, aliado ao conservadorismo da população com o virtual, aprofunda os impactos da pandemia na educação. Panorama esse que decorre do acesso à internet e as atuais tecnologias não ser difundido no país, o que proporciona aqueles que os têm poder sobre os demais, de maneira que intensifica a disparidade no ensino com a dependência do EaD durante o isolamento. Esse processo vai de encontro ao que o filósofo francês, Michel Foucault, explicou em seu ensaio ‘’Microfísica do Poder", de que as relações de poder estão presentes no cotidiano, visto que o estudante sem acesso a esses instrumentos virtuais estará em desvantagem aos que os possui.
Diante do exposto, é importante ressaltar que os impactos da pandemia na educação tem como origem o discurso conservador. Para solucionar esse quadro é fundamental que o Governo Federal realize um Programa Nacional de Difusão das Novas Tecnologias, que em parceria com o Ministério da Educação crie uma disciplina sobre o uso dessas inovações tecnológicas, com o intuito de tornar o aluno autônomo. Esse Programa deve ainda, por meio de um Fundo Nacional de Investimentos, fornecer aos estudantes uma bolsa de auxílio tecnológico, para igualar a condição virtual de todos. Espera-se com essas medidas que o estudante seja coautor do seu ensino com o uso tecnológico.