Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 29/08/2020

O filósofo Heráclito acreditava que a vida está em constante mudança e que tudo é um fluxo eterno. Sob essa perspectiva, pode-se relacionar o pensamento do filósofo ao contexto moderno, o qual, devido à pandemia de Covid-19, apresentou mudanças radicais na educação, uma vez que as escolas foram fechadas para diminuir o contágio. Nesse sentido, cabe debater os impactos de tais transformações, que evidenciam a desigualdade social e a disparidade no acesso a ferramentas indispensáveis ao novo cenário, bem como demonstra falhas da formação profissional dos professores.

A princípio, é importante destacar que a desigualdade social intrínseca à realidade brasileira impede que a totalidade dos cidadãos desfrute de uma educação homogênea. Acerca disso, após o fechamento dos centros educacionais, a única forma de continuar os estudos foi através da internet. Por conseguinte, tal processo se tornou um problema, tendo em vista que apenas 42% das classes “D” e “E” possuem acesso à conexão, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. Infere-se, pois, que enquanto uma parte da população conta com aulas, exercícios e trabalhos remotos, continuando o ano letivo, outra parcela permanece estagnada e tem seu aprendizado interrompido, sendo, por isso, imprescindível uma atitude estatal para mudar esse quadro.

Somado a isso, convém ressaltar que a pandemia demonstrou falhas na formação dos profissionais da educação. Nessa conjuntura, com o ensino on-line, os professores tiveram que lidar com tecnologias e softwares de transmissão das aulas, o que trouxe insegurança e dificuldade a eles, visto que, durante a formação, os educadores não são instruídos a utilizar esses métodos e mantêm-se atrelados aos moldes tradicionais de ensino. Com efeito, o escritor Alvin Toffler apontou que o analfabeto do século XXI é aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender. Logo, as instituições formadoras desses profissionais precisam incluir a tecnologia na didática ensinada para que os professores saiam das faculdades preparados e devidamente alfabetizados segundo a ótica de Toffler.

Fica claro, portanto, que a pandemia impactou a educação brasileira. Por conta disso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve atuar na democratização do acesso à internet no país. Isso pode ser feito por meio de parceria público-privada com empresas de telecomunicações, as quais terão isenção de impostos para criar planos acessíveis à população de baixa renda, com vistas a fazer com que essas pessoas fiquem conectadas e possam estudar on-line. Ademais, as Universidades que oferecem cursos de licenciatura devem criar disciplinas de metodologias e recursos tecnológicos mediante orientação de técnicos de informática, a fim de formar professores aptos a incluir esses recursos em suas aulas. Assim, as mudanças esperadas por Heráclito terão impacto positivo para a educação no Brasil.