Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 29/08/2020
Segundo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Dentro dessa filosofia, fica evidente a importância de um sistema educacional funcional, posto como um dos alicerces no desenvolvimento efetivo de uma sociedade. Na contemporaneidade, em função da quarentena imposta pelo Covid-19, esse cenário enfrenta obstáculos que atrasam ou até mesmo impedem seu progresso, advindos principalmente da desigualdade social brasileira e suas diferenças.
Em primeira instância, faz-se necessário comentar a respeito da revolução ocorrida no âmbito da educação nos últimos meses em todo o mundo. Por conta do isolamento social, o ensino à distância (EaD) tomou o lugar do presencial e, nessa nova modalidade, há total dependência de tecnologias para que haja acesso ao conhecimento. Entretanto, de acordo com o portal de notícias G1, 53% dos alunos de escolas públicas não possuem conexão banda larga ou computador em casa, logo, fica explícita a disparidade da qualidade educacional fornecida pelas instituições públicas das privadas, decretando urgência na busca por salvação ao sistema gratuito de ensino.
Nota-se, portanto, que a precariedade do processo educativo vivenciado atualmente representa não apenas a construção de um país mais desequilibrado, como também uma inconstitucionalidade do artigo 227 do conjunto de leis brasileiras - que afirma ser dever do Estado garantir escolarização à todos independente de qualquer circunstância. Em suma, no momento em que falta compromisso do governo na entrega do conhecimento à população necessitada, falta também a inserção de valores éticos e morais na formação do futuro do país, ocasionando, dentro da esfera sociológica, uma socialização primária incompleta.
Diante do exposto, medidas devem ser tomadas a fim de controlar o caso em questão. Assim, cabe ao Ministério da Educação, juntamente de parcerias público-privadas com empresas de tecnologia (computação e internet), democratizar o acesso ao ensino básico distribuindo o equipamento essencial para participação do EaD aos que não tem total condição de adquiri-lo - usando pesquisas sociais de campo anteriores que indicam as situações familiares mais alarmantes como critério de escolha dos beneficiados. Dessa forma, o país olhará para um futuro menos desigual formando homens através da educação e, filosoficamente, um futuro mais ‘kantiano’.