Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 30/08/2020
A Constituição Brasileira promulgada em 1988 garante, em seu artigo 6°, os direitos sociais, sendo um deles a educação. Entretanto, os impactos da pandemia estão afetando essa garantia constitucional e consequentemente o nível da educação no País. Pois, a forma de ensino remoto adotada não garante um acesso igualitário a todos os estudantes e também não assegura um acompanhamento pedagógico necessário para suprir as dificuldades individuais de cada aluno.
Inicialmente, é válido pontuar que o acesso desigual a forma de ensino aplicada durante a pandemia reflete no nível da educação brasileira. Porque, a maioria dos estudantes de baixa renda não possuem acesso as tecnologias, sejam televisões, computadores ou internet e por isso muitas vezes não conseguem acompanhar as aulas. Esse cenário, pode ser comprovado com as pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que demonstra que menos de 50% das classes “D” e “E” estão conectadas. De forma que, isso certifica que grande parte dos estudantes de baixa renda não possuem acesso às redes e quando o possuem esse pode ser de baixa qualidade, o que também seria um entrave ao processo de aprendizagem desses alunos.
Além disso, também é importante salientar que a falta de um acompanhamento pedagógico individual, durante esse período, impossibilita que ocorra uma formação educacional igualitária dos estudantes. Visto que, é necessário que se leve em conta as dificuldades individuais de cada aluno para que sejam suprimidas e que todos consigam aprender o que lhes for ensinado. Tal cenário é semelhante ao que defendeu o filósofo Alemão Konrad Adenauer, para quem todos têm acesso ao mesmo céu, mas nem todos têm o mesmo horizonte, já que a dificuldade de comunicação e de acompanhamento, na forma remota de ensino, faz com cada aluno seja tratado como um todo sem que suas limitações sejam analisadas e sanadas.
Diante disso, é notório os impactos da pandemia na educação brasileira são inúmeros e que esses devem ser combatidos de modo a alcançar um alto nível educacional. Para isso, os Estados e Municípios devem criar medidas alternativas, como disponibilizar locais públicos com computadores e acesso a internet para os alunos assistirem as aulas, e a doação de livros didáticos e cronogramas de estudos de forma a auxiliar a aprendizagem dos alunos que não tenham acesso a nenhum meio de comunicação. Assim como, é imprescindível que as escolas disponibilizem educadores para ficarem de plantão nas unidades de ensino, com todas as medidas necessárias de segurança e higiene, de forma que o aluno com dificuldade possa procurar esse profissional e receber uma ajuda afim de suprir seu déficit para que ele tenha uma formação educacional efetiva.