Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 04/09/2020
Para a psicologia tradicional, a melhor maneira de encarar uma crise é aprender com as derrotas e usar o conhecimento de maneira produtiva no futuro. No caso da educação brasileira, apesar de todas as perdas e injustiças sofridas por milhões de estudantes, muitas lições foram aprendidas pelos professores, alunos e autoridades do Estado. Dentre os mais importantes, é possível destacar a adaptação do modelo de ensino e a ausência da infraestrutura necessária em grande parte do país.
Primeiramente, é preciso constatar que a educação durante a pandemia passou por muitas transformações. Desde a popularização da internet e o estabelecimento dos sistemas de comunicação vigentes, é a primeira vez que a sociedade ficou impossibilitada de se locomover e cumprir seus compromissos diários de maneira presencial. Dessa forma, professores de todas as localidades tiveram que se adaptar à situação, através de aulas online e ensino digital como os únicos recursos disponíveis. Essa situação de incerteza do futuro e adaptabilidade intensa é o que caracteriza, para Marshall Berman, a essência dos tempos modernos. Para o filósofo norte-americano, a modernidade se resume à ausência de paradigmas dogmáticos e à fluidez do novo em detrimento do ostracismo dos meios tradicionais. Ou seja, é possível analisar a pandemia como um fator de seleção natural, recompensando as pessoas de caráter inovador que buscam soluções modernas e inclusivas, simultaneamente à exclusão de profissionais retrógrados e incapazes de se adaptarem ao mundo moderno.
Concomitantemente com a onda de inovação pelo qual a sociedade passa, também é nítida a ausência de infraestrutura que muitos estudantes carecem em relação aos estudos. Apesar dos tempos modernos serem marcados pela constante transformação, muitos não estão preparados para tais mudanças. De acordo com uma pesquisa da Datafolha, apenas 57% dos estudantes brasileiros possuem computadores, meio ideal para assistir videoaulas, e dentre as classes menos favorecidas, menos da metade possui acesso à internet. Por consequência, é possível constatar o claro caráter heterogêneo e desigual do desenvolvimento contemporâneo. Logo, deve haver meios com os quais alunos desprivilegiados possam ter condições básicas de aprendizagem, caracterizando uma educação justa e democrática.
Por fim, apenas o progresso tecnológico e o cultivo de novas ideias são capazes de findar recessões e criar tempos bons, propiciando serviços de maneira mais eficiente e inclusiva. Para que a desigualdade na educação seja resolvida, é necessária a criação de um programa social do Governo Federal através de um projeto votado no Senado, no qual são concedidas de forma gratuita materiais de estudo digital