Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 01/09/2020

O escritor Jared Diamond argumentou, em ‘‘Armas, Germes e Aço’’, que tais elementos modificam a estrutura da sociedade. A pandemia atual, por sua vez, ocasionado pelo o novo coronavírus, preconiza, mediante recomendações das organizações de saúde, o isolamento social como medida preventiva. Sendo assim, as aulas nas escolas, no formato presencial, foram canceladas. Nesse sentido, é de suma importância analisar o debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira. Desse modo, percebe-se os emblemas relacionadas à exclusão digital, como também a falta de efetivação, no tecido social, dos dispositivos constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire, na Pedagogia Libertadora, defende o sistema educacional como um agente de transformação social. No entanto, segundo o dado do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-, um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet, por conseguinte, evidencia a prevalência da desigualdade sócio-econômica, no Brasil. Nessa lógica, tal realidade torna-se um problema mais abrangente, na atual conjuntura, uma vez que as aulas lecionados estão sendo, majoritariamente, veiculada por meio da conexão via rede. Desse modo, a exclusão digital, sobretudo, na quarentena, demonstra um sistema de ensino que não dialoga com o pensamento freireano.

Outrossim, a Constituição Cidadã explicita que todos possuem o direito ao acesso à educação. Entretanto, a realidade expões uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, por exemplo, pela falta de políticas públicas, com o fito de ajudar os professores, dado que é um cenário novo, o qual exige, portanto, uma qualificação ao mundo digital que muitos, notadamente, não possuem. Nessa perspectiva, tal paralelo entre a Carta Magna e a realidade ecoa o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se que a dissonância entre os dispositivos constitucionais e a narrativa factual precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Poder executivo, por meio de verbas governamentais, forneça computadores conectados à internet aos estudantes carentes, a fim de que tenham acesso às aulas, durante a pandemia. Para tanto, é importante um mapeamento logísticos que identifique tais alunos. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, por intermédio de cientistas sociais, que expliquem a necessidade de o Estado desenvolver ações voltadas a garantir o ensino a todos, com o intuito de que haja efetivação das garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão as questões do impacto da pandemia na educação brasileira.