Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/10/2020
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) realizou a sua prova em 79 países em 2018. Dentre os resultados obtidos, constatou-se que o Brasil ocupou a 67º posição no exame de ciências. Posteriormente, com a disseminação do coronavírus pelo mundo, as escolas foram fechadas como medida de prevenção sanitária, o que atrapalha ainda mais a superação desse quadro. Sob tal ótica, a pandemia trouxe impactos extremamente graves na educação brasileira, visto que muitos alunos necessitam da aula presencial para aprenderem e reduziu-se a interação social.
Inicialmente, com a proibição de aglomerações, adotou-se o ensino remoto, porém muitos não podem exercê-lo. De acordo com o IBGE, 30% dos brasileiros não tinham acesso à internet em 2018. Dessa forma, alunos que possuem uma renda familiar maior acessam a plataformas digitais e videoaulas com mais facilidade. Entretanto, esse é um privilégio distante dos estudantes mais pobres, que, muitas das vezes, não possuem aparelhos eletrônicos, dados móveis e nem conhecimentos básicos de informática. Por conseguinte, eles sofrem sérios prejuízos nos seus anos letivos, porquanto não possuem os recursos necessários para prosseguir com a educação digital, consequentemente, ocorre uma má compreensão do conteúdo, atraso na conclusão e até mesmo a evasão escolar.
Outrossim, a perda do contato físico diário causa graves prejuízos à vida dos adolescentes. Em consonância com Durkheim, uma sociedade em que os indivíduos não se sentem pertencentes a um grupo tende a ter mais casos de suicídio. Concomitantemente, “o homem é um animal político”, afirmou Aristóteles. Diante disso, o ser humano necessita da convivência com o próximo para o seu bem-estar, especialmente quando criança, pois é por meio dela que as pessoas amadurecem, divertem-se e aprendem sobre diferentes visões de mundo. Nesse sentido, essa interação ocorre de maneira precária e restrita no ambiente virtual, por causa disso, os alunos sofrem danos emocionais com a ausência dos amigos e sociais devido à não criação de novos relacionamentos com pessoas diferentes.
É mister, portanto, tomar medidas que atenuem os danos causados pela fechamento dos colégios devido à disseminação do coronavírus. Logo, cabe ao Poder Executivo municipal ajudar os estudantes mais pobres a acessarem às aulas remotas, por meio da criação de um auxílio digital vinculado ao programa Bolsa Família. Esse recurso virá como um vale que só poderá ser gasto com a compra de celular, chip de operadora e dados móveis. Ademais, cabe também às famílias incentivarem os adolescentes a irem a consultas com terapeutas. Espera-se, assim, amenizar a defasagem no ensino dos alunos vulneráveis e promover a saúde mental nesse momento de redução da interação social.