Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 03/09/2020
Desde a formação das pólis gregas, a educação é uma instituição elitizada, onde apenas a minoria socialmente dominante, denominada na sociedade grega por “eupátridas” ou “bem nascidos” era favorecida com o estudo. Hodierno a isso, na sociedade brasileira, em decorrência da pandemia de covid-19 a desigualdade social existente na distribuição da educação para todos, e os impactos gerados por esta, ficam claros. Portanto, medidas para mitigar esse problema devem ser propostas.
A pandemia proporcionou diversas adaptações na vida em sociedade, a educação a distância foi uma delas. No entanto, com essas adaptações grande parte da população sofre pela falta de recursos necessários, como o acesso aos materiais essenciais para o aprendizado. Isso se dá devido às condições desiguais do sistema educacional, em que muitos alunos não possuem recursos tecnológicos suficientes para conseguir um ensino de qualidade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 58% das classes “D” e “E” não estão conectadas, o que torna possível analisar a precariedade na educação e na sua distribuição social.
Ademais, vale ressaltar que como analisado por Aristóteles, filósofo da antiguidade, o ser humano como um ser social necessita das práticas em sociedade para sua formação. Devido ao “novo modo de vida” que a pandemia proporcionou, crianças e jovens foram os principais afetados no que tange à educação e a socialização, isso pelo fato de estarem passando por fases nas quais precisam de estímulos que irão surtir efeito até mesmo em sua vida adulta. De acordo com o psicólogo Lev Vygotsky que elaborou o conceito de “zona de desenvolvimento proximal” o convívio em sala de aula é essencial para o aprendizado e para a troca de experiências, que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Dessa forma, a falta desse, pode gerar uma série de danos comportamentais e psicológicos que comprometem a sociabilização do indivíduo afetado.
Em vista dos fatos mencionados, ações devem ser promovidas para solucionar o impasse gerado pela pandemia no sistema de educação e seus impactos. Urge, portanto, que o Ministério da Educação promova em parceria com os meios midiáticos plataformas que facilitem o acesso para o estudante, bem como cursos de capacitação dos profissionais da educação, com a finalidade de que estes estejam aptos ao uso de novas tecnologias e métodos que auxiliem o processo de aprendizado dos alunos. Cabe a família, como instituição social primária, por meio do diálogo, auxilar as crianças e jovens em seu desenvolvimento pessoal e social, para que estes não sejam afetados pela falta do contato direto com outras pessoas. Assim, sendo possível cada vez mais a aproximação de uma sociedade em que todos possuam condições iguais de ensino.