Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 02/09/2020
Na Baixa Idade Média, a epidemia da peste bubônica na Europa desencadeou uma série de problemas- fome, miséria, morte- inesperados por aquela sociedade. Trazendo para a realidade atual, a pandemia do novo corona vírus conduziu o surgimento de uma série de instabilidades, seja na economia, seja na educação. Nesse sentido, tratando-se da questão educacional, essa conjuntura inesperada proporcionou danos incalculáveis ao sistema de ensino brasileiro. Desse modo, o acesso desigual ao ensinamento, bem como patologias psicológicas desenvolvidas são pontos a analisar.
Em primeiro plano, ao contrário do sistema privado, os jovens alunos das escolas públicas convivem com a ausência de aula e estrutura mínima para a obtenção do aprendizado. Em consonância com isso, a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, assegura que todo cidadão tem direito à educação de qualidade. À vista disso, em tempos de aulas online, acessórios como internet, computa-
dor e espaço de estudo para os discentes são primordiais; no entanto, a população mais pobre carece de tais direitos, tendo o desenvolvimento de sua carreira acadêmica prejudicada. Destarte, em um panorama de fragilidade social e econômica, o contraste de oportunidades legitima a perpetuação da desigualdade na sociedade canarinha.
Concomitante a isso, tendo em vista que a educação é uma chance de ascensão coletiva e profissio-
nal, a ausência de perspectivas positivas , e a injustiça nesse cenário populariza o surgimento de doen-
ças mentais. Assim sendo, para a Organização Mundial da Saúde, os distúrbios psicológicos, depressão e ansiedade, são classificados como um dos males do século XXI. Dessa maneira, em um contexto de isolamento social, a inexistência de projeções futuras nas atividades didáticas e a pressão geral por uma vida melhor e de qualidade, transformam- se em uma situação ideal para impactos desastrosos no bem-estar mental. Logo, um país que busca reparar os efeitos de uma pandemia global, ignora os males ocasionados por medidas incorretas e segregacionistas.
Fica evidente, portanto, que todo esse quadro impacta diretamente o estudante periférico e pobre. Por isso, o Ministério da Educação em parceria com Secretárias Municipais de Educação, deve implantar um plano de volta às aulas no sistema público, desde o nível básico ao superior. Por meio da implementação de ferramentas adequadas- câmeras, microfones, projetores- em cada instituição; da capacitação de docentes e psicólogos para conduzirem esse processo, e uma ajuda financeira para que os discentes tenham condição mínima para assistir exposições. Assim, com a ajuda de assistentes sociais e técnicos em “TI”, como também, com a destinação de uma verba urgente no orçamento nacional. Espera-se, com isso, que todos desfrutem de direitos garantidos de forma igualitária.