Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 02/09/2020
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a crise gerada pela pandemia de Covid-19 trouxe vários impactos na educação brasileira. Esse panorama antagônico é fruto da desigualdade social no país, além do despreparo dos alunos e locais de estudos em relação ao ensino a distância.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o isolamento social afetou de maneira desigual o sistema educacional brasileiro. Ainda, 40% da população não possui acesso a computadores - ideais para o uso no ensino a distância - segundo o censo de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, escolas e estudantes da rede pública são os mais afetados com a paralisação das aulas presenciais. Essa situação tornou-se um absurdo, visto que a educação é um dos principais meios de diminuir as diferenças sociais no país e, em um futuro próximo (caso esse problema não seja resolvido), pode-se ter um aumento significativo nos índices de pobreza, fome e até mortalidade.
Ademais, além de evidenciar a desigualdade em relação aos recursos tecnológicos, a pandemia também manifestou as dificuldades de adaptação de alunos ao ensino online - quando a infraestrutura permite. Assim, problemas como concentrar-se, de disciplina, organização e local adequado de estudo tornaram-se comuns nessa modalidade de educação. Esse cenário pode ser visto no livro autobiográfico “Quarto de Despejo”, de Maria Carolina de Jesus, onde é retratada a vida da autora em uma favela de São Paulo, ficando clara a falta de um lugar para seus filhos poderem estudar - além da dificuldade de sua família com aspectos básicos de sobrevivência, como conseguir água potável.
Portanto, infere-se que medidas exequíveis devem ser tomadas para combater os problemas causados na educação pelo coronavírus. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, de que a União, junto com os governos estaduais, ofereçam computadores e internet de qualidade, ambos grátis, para famílias que não apresentarem condições financeiras de realizar essas compras. Essas medidas serão implementadas mediante parcerias com empresas fabricantes de computadores e provedoras de internet, visando a diminuir as desigualdades entre os alunos e oferecer possibilidades iguais a todos durante a quarentena. Desse modo, atenuar-se-á, em médio prazo, o impacto nocivo que esse problema pode causar, e a coletividade chegará mais perto da “Utopia” de More.