Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 11/09/2020
De acordo com o filósofo Immanuel Kant, é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Sob essa perspectiva, os impactos da pandemia da COVID-19 na educação brasileira como a inovação e criatividade e o agravamento da desigualdade podem ser fatores determinantes para gerar mudanças irreversíveis nessa área. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim da plena evolução e aperfeiçoamento do corpo social. A priori, é indubitável ressaltar a inovação e criatividade como impacto da doença na educação. De fato, o isolamento social obrigou o mundo a se adaptar às formas digitais de trabalhar, ensinar, aprender e interagir. Nesse sentido, a substituição das aulas presenciais pela modalidade a distância inovaram a face da pedagogia e do aprendizado através da tecnologia, como a inclusão digital - fornecendo instrumentos para acompanhamento das aulas aqueles que necessitam - e também novos métodos de ensino, como as ferramentas síncronas e assíncronas. Nota-se então, que é possível fechar as salas de aula sem parar de aprender.
A posteriori, é imperativo ressaltar o agravamento da desigualdade. Partindo desse pressuposto - no Brasil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 42% das classes “D” e “E” estão conectadas, sendo que mais de 70% dos usuários encontram-se nas áreas urbanas. Sendo assim, há limitações graves, especialmente para alunos e professores mais empobrecidos, muitos deles localizados em regiões limítrofes das grandes cidades ou na zona rural. Faltam computadores, aparelhos de telefonia móvel, softwares e internet de boa qualidade, dentre outros recursos. Fica evidente, portanto, que a doença tornou nítida a desigualdade social.
Diante dos argumentos supracitados, urge que medidas sejam tomadas para que os efeitos futuros da pandemia na educação brasileira sejam apenas positivos. Dessarte, com o intuito de mitigar a desigualdade no ensino, necessita-se urgentemente que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação (MEC), será revertido em investimento na capacitação dos educadores para uso e domínio das ferramentas digitais e também em uma boa estrutura de recursos humanos para procurar fisicamente cada família e levar material impresso na porta das casas dos estudantes que não possuem acesso à rede. Desse modo, minimizando-se as limitações pedagógicas e tecnológicas, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da pandemia no agravamento da desigualdade e a partir desse problema educacional a humanidade poderá ser aperfeiçoada, como disse Kant.