Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 05/09/2020

Abismo da desigualdade

A educação certamente é um dos pilares fundamentais na formação de uma sociedade. Entretanto, com a pandemia, o modelo tradicional brasileiro de ensino presencial precisou ser alterado e adaptado às novas condições seguras diante da Covid-19. Com isso, o isolamento necessário para a contenção da doença obrigou o mundo todo a se adaptar às formas digitais, seja para trabalhar, ensinar, aprender e ainda assim, interagir. Somado à isso, é preciso reconhecer também que a suspensão das aulas presenciais podem alterar o aprendizado e aumentar as desigualdades sociais no médio e longo prazo, sendo necessária a busca de soluções que tornem os impactos da pandemia os mais positivos possíveis.

Primeiramente, é importante evidenciar que tanto os profissionais da educação, quanto os alunos e toda sua família tiveram que lidar com essa imprevisibilidade, na tentativa de fazer adaptações para o mantimento da produtividade e do aprendizado. Sendo assim, os professores vivenciaram inovadoras formas de ensinar e de avaliar os alunos digitalmente. E por outro lado, os estudantes precisaram de mais organização, dedicação e mais planejamento, já que com as técnicas de EaD, aumenta-se a autonomia desses.

Contudo, precisa-se pontuar a imensa desigualdade entre os sistemas públicos e privados da educação básica, visto que os alunos e professores de rede pública enfrentam obstáculos ainda maiores. Desse modo, enquanto nas escolas particulares há o envolvimento de vários recursos e estratégias, muitos alunos de escola pública não possuem acesso à internet. Em vista disso, em médio e longo prazo, essa desigualdade na educação pode gerar ainda mais desigualdades sociais, que assim como o filósofo Karl Marx defendeu, as desigualdades sociais são consequência do sistema capitalista, já que visa o lucro pessoal e não uma boa distribuição de renda, ficando muito evidente nesse caso de acesso ou não à internet, por exemplo.

Diante desse contexto, é interessante que o Estado, que segundo o filósofo Thomas Hobbes é um importante agente de mantimento do bem-estar social, torne o acesso à internet mais igualitário através de investimentos maiores na educação para que se facilite o acesso ao EaD para todos. Também é importante que o Ministério da Educação dê assistência aos professores por meio de investimento na capacitação desses, a fim de que eles tenham domínio das ferramentas digitais nesse novo cenário e torne o estudo mais eficiente.Dessa maneira, a crise pelo coronavírus pode ser uma grande oportunidade de aprendizado positivo.