Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 03/09/2020

Em março, a Organização Mundial da Saúde decretou estado de pandemia por conta do novo coronavírus, COVID-19. Desde então, muitos governantes estabeleceram medidas de isolamento social para conter o alastramento do vírus. As escolas foram grandemente afetadas pelas novas imposições sanitárias, pois foram impossibilitadas de realizar atividades presenciais. Desse modo, o abismo educacional existente entre as classes sociais no país foi magnificado, já que a grande maioria dos estudantes não possui acesso à internet e muitos têm que trabalhar informalmente para ajudar no orçamento familiar.

De início, vale ressaltar que a pandemia afeta em maior medida as camadas da sociedade menos favorecidas economicamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020, apenas 47% dos brasileiros tinham acesso à internet banda larga. Isso torna evidente a insuficiência das aulas remotas, uma vez que os alunos simplesmente não possuem meios para acessá-las. Acentuando, assim,  as disparidades  educacionais.

Além disso, a piora geral da economia brasileira, que de acordo com a Agência Brasil, chega a somar 12% negativos apenas nos dois primeiros semestres de 2020, reduziu as possibilidades de emprego e renda. Destarte, muitos estudantes são obrigados a buscar ocupações mal remuneradas para complemento da renda doméstica. Isso estabelece um círculo vicioso de ausência de educação formal e empregos mal remunerados que tende a agravar-se com o tempo.

Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Para tanto, Governo Federal deve elaborar programa de assistência estudantil voltada para estudantes que não possuem acesso à internet. Por exemplo, custear inteiramente o acesso à banda larga de estudantes cujas famílias recebam Bolsa Família. Dessarte, os efeitos da pandemia serão menos sentidos pelos mais vulneráveis e o abismo educacional não será majorado.