Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 03/09/2020

O pedagogo Paulo Freire em seu livro “Pedagogia do oprimido”, afirma que “os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Tal assertiva evidencia a problemática dos impactos da pandemia na educação Brasileira. Ainda que as aulas continuem sendo realizadas através do ensino remoto, o número de estudantes sem acesso a essas plataformas e de professores despreparados a utilizá-las é consideravelmente alto. Dessa forma, o processo de ensino é negativamente afetado por fatores que vão além do sistema educacional. Mostra-se assim, que sanar esse revés é um desafio. Em primeiro lugar, a mudança do ensino presencial para o ensino à distância (ead) foi repentina, de modo que os professores não puderam receber nenhum treinamento para utilizar softwares de ensino online, e consequentemente não conseguiram adaptar a metodologia. Consoante ao problema, o Brasil conta com somente 57% da população que possui acesso à internet, segundo o IBGE. Logo, vários estudantes não possuem estrutura domiciliar para participar do ensino remoto com qualidade, principalmente as famílias com muitos filhos que precisam dividir computadores e celulares. Sendo assim, o ano letivo é negativamente afetado por problemas estruturais que envolvem diretamente a desigualdade social do Brasil, evidenciando-se então, o quadro negativo vivido pela nação. Em segundo lugar, é importante destacar os empecilhos de não frequentar a escola presencialmente, que envolvem a ausência de contato e interação social, e possíveis problemas nutricionais decorrentes de não consumir a merenda escolar. Conforme a premissa de Maquiavel, “não há nada mais difícil do que tomar a frente na introdução de uma mudança”. Nesse sentido, é perceptível que muitos estudantes têm a merenda como refeição fundamental do dia, sendo altamente prejudicados com a ausência desta. Ademais, o período de pandemia afeta negativamente a saúde mental de, principalmente, crianças e adolescentes que têm a escola com único ou principal momento de interação social do dia. Sendo assim, destacam-se os pontos negativos do atual estado da educação Brasileira. Diante do exposto, portanto, é necessário que o Ministério da educação capacite professores e estudantes para utilização de softwares de ensino online por meio de cursos e palestras preparatórias que respeitem as medidas de biossegurança do novo coronavírus, para que o ano letivo seja aproveitado o máximo possível dentro dessas condições. As prefeituras das cidades responsabilizam-se por entregar cestas básicas com a quantidade que seria consumida mensalmente pelo estudante, por meio de distribuição coletiva, para que as famílias não sejam prejudicadas. Ao mesmo órgão, cabe disponibilizar atendimento psicológico gratuito para profissionais da educação e estudantes, de modo a amenizar os impactos na saúde mental destes indivíduos. Dessa forma, quiçá poderemos aproveitar ao máximo o ensino remoto e fazer jus às palavras de Paulo Freire.