Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 28/09/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, no qual o convívio padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa nos dias atuais é o oposto do que o autor propõe, visto que os impactos na educação brasileira durante a pandemia é um impasse crescente. Dessa forma, seja em razão da desigualdade social, ou da falta de estrutura no sistema de educação, o corpo social proposto por More está cada vez mais improvável. Logo, salienta-se a necessidade de melhorias no processo de ensino do país.

Em primeira análise, é notório que pandemia revelou ainda mais as desigualdades sociais e, na educação, não seria diferente. Assim, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), de 2018, praticamente metade das residências brasileiras não tinha um computador em casa e a conexão com à internet era feita, em sua maioria (98,1%), por meio de um aparelho celular. Desse modo, o acesso a educação para alunos da rede privada torna-se muito mais acessível, visto que com o auxílio da tecnologia esse impacto foi minimizado, no entanto, tal situação não se aplica ao quadro geral da realidade brasileira, onde 23,3 milhões de cidadãos estão em situação de vulnerabilidade social.

Além disso, a Constituição Federal de 1988 garante que " A educação é direito de todos e dever do Estado". No entanto, à ausência de estrutura no sistema educacional durante a pandemia evidencia que esse direito não é aplicado de forma adequada. Por consequência, a maior parte dos estudantes não possuem  auxílio apropriado para a efetivação de um ano letivo de qualidade. Destarte, observa-se o descaso do Estado com alunos da rede pública de ensino, posto que não fornecem assistência fundamental, como aparelhos tecnológicos, banda larga e material didático para que esses consigam acompanhar a educação a distância com aptidão.

Portanto, tal cenário, decorrente da pandemia atrelada à desigualdade social dificulta a aprendizagem dos brasileiros. Sendo assim, cabe ao Governo em parceria com o Ministério da Educação, promover  a ampliação dos investimentos do ensino à distância, por meio da criação de programas que visem ofertar aos estudantes em baixa situação socioeconômica, equipamentos tecnológicos como computadores, tablets, smartphone e, também, acesso à internet, com intuito de democratizar o acesso a uma aprendizagem de qualidade e igualitária a todas classes sociais. Somente assim, os impactos do isolamento social no sistema de ensino será amenizado.

à ausência de domínio tecnológico por parte dos profissionais de ensino