Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 03/09/2020

Em uma tirinha do ilustrador Alexandre Beck, a personagem “Fê” expressa que, de tijolinho em tijolinho, muros podem ser construídos. Nesse sentido, o atual panorama da educação remota na pandemia do COVID-19 assemelha-se a esse trecho da ilustração, no qual a passividade estatal e familiar são obstáculos que contribuem para a construção da muralha da insegurança do aprendizado dos estudantes brasileiros.

A priori, ressalta-se o contrato social do filósofo John Locke, o qual afirma ser dever do Estado garantir os direitos dos indivíduos. Contudo, ao analisar os impasses do ensino remoto, percebe-se um rompimento nesse pacto, visto que o não acesso à internet atinge muitos estudantes e prejudica a participação deles na educação virtual. Assim, a negligência do governo com essa questão afeta o aprendizado dos alunos, sabendo-se que cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes não têm internet em casa, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a infância.

A posteriori, a falta de apoio familiar aos alunos deve ser combatida para um melhor aprendizado no contexto das aulas emergenciais. De acordo com o filósofo Cortella, além da escola, a família tem um papel fundamental na educação dos jovens. No entanto, a escassez da presença de muitos pais no aprendizado - que já existia antes da pandemia - torna-se ainda mais inaceitável sem as aulas presenciais. Sendo assim, faz-se mister o acompanhamento familiar ativo para que os impactos negativos das aulas remotas na educação sejam menores.

Destarte, ações são essenciais para amenizar os prejuízos provocados na aprendizagem pelo isolamento social. Cabe ao Poder Legislativo, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, criar um programa chamado “Acesso Democrático à Internet”. O plano visará disponibilizar internet gratuita nas regiões mais necessitadas a partir de parcerias com empresas provedoras. Ademais, o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve realizar uma campanha em suas redes sociais com fito de incentivar as famílias ao acompanhamento estudantil. Dessa forma, serão construídas pontes para a superação do problema - ao invés de muros - como sugere o protagonista Armandinho, no fim da tirinha de Beck.