Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 04/09/2020
Ao longo da historiografia humana, percebe-se que o modelo de organização da sociedade ditou o modo como o ensino deveria se estruturar. Como se observa que, na Idade Média, a filosofia Escolástica buscou conciliar a razão com a fé, enquanto, no sistema escravocrata patriarcal brasileiro, a educação ficou restrita à aristocracia masculina. Dessa forma, ao analisar o atual contexto de isolamento social decorrente da pandemia, nota-se que o ensino precisou se adaptar com esse novo quadro. Consoante a isso, tal cenário fomentou inúmeros impactos no brasil, os quais são centrados na desigualdade do acesso e na negligencia aos direitos sociais.
Em primeiro lugar, conforme o escritor Lima Barreto, o Brasil é dividido em dois mundos, o dos privilegiados e o dos deserdados. Sob tal prisma, percebe-se o cenário da educação no período da quarentena, uma vez que o acesso ao ensino demonstrou ser desigual, pois as aulas, majoritariamente, foram onlines e sabe-se que, no país, a falta de inclusão digital. Em que, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um em cada quatro brasileiro não tem acesso à internet. Desse modo, nota-se uma realidade que ecoa a obra “Casa Grande e Senzala”, do sociólogo Gilberto Freyre, haja vista que a classe social que esse indivíduo está inserido determinará o seu modo de desenvolvimento.
Ademais, tal conjuntura elucida o pensamento do filósofo Henrique de Lima sobre a sociedade se assentar em um enigma, de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Prova disso, é que apesar de a Constituição Cidadã afirmar sobre o dever do Estado de construir um ambiente propício para o crescimento do aluno, nota-se uma realidade que contradiz tal afirmação. Assim, um governo que no cenário de pandemia não fomentou políticas públicas eficientes a fim de permitir o crescimento educacional do aluno, faz com que direitos sejam negligenciados no tecido social.
Logo, é mister que o Estado mude a sua postura. Para tanto, é preciso que esse órgão, mediante repasse de verbas governamentais, fomente políticas públicas, a fim melhorar os impactos da pandemia na educação do país. Nesse viés, as prefeituras, em parceira com as mídias locais, como o rádio e canal televisivo, disponibilizem esses locais para os professores venham lecionar as suas alunas, com o propósito de que todos os estudante tenham o seu direito à educação garantido. Diante disso, com um governo que respeita sua Constituição conseguir-se-á construir uma nação mais justa.