Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 08/09/2020

“Todos os seres humanos têm direito à educação”, é um dos trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual não tem sido tão considerado no Brasil, país onde, durante a pandemia causada pela covid-19, jovens de classe baixa são excluídos da educação remota. Sobre isso, percebe-se também que esses estudantes, em virtude da pouca interação social, presencial ou digital, vêm tendo seus emocionais afetados, dificultando ainda mais o mínimo aprendizado que possa ocorrer.

No que concerne à plena formação dos cidadãos, inclusive brasileiros, é possível denotar a interação como fator fundamental, assim, em uma situação de afastamento social, os jovens tendem a não absorver conteúdos e a diminuir a produtividade. Esse é o caso de Lucas Felpi, adolescente famoso por publicar vídeos de estudos no Youtube, que, a partir de um desses, abordou a aflição enfrentada ao tentar compreender assuntos acadêmicos no período da quarentena. Tal fato pode ser compreendido através das teses do psicólogo Vygotsky, as quais apresentam o convívio com colegas e professores, praticamente mínimo nesse atual cenário, como fundamental para o íntegro aprendizado.

Pontua-se, ainda, a abundância de alunos que não têm acesso às aulas no modelo EaD(Educação a Distância), pois esse sistema custa caro, requer internet e um mínimo aparato tecnológico, os quais ainda não estão presentes na vida de boa parcela do Estado. Isso se torna nítido ao considerar-se dados publicados em 2019 e 2020 pela ONU(Organização das Nações Unidas) e pelo IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos quais há um grande índice de pobreza no Brasil. De acordo com essas instituições, o país é o sétimo mais desigual do mundo e vinte e cinco por cento de seus habitantes não acessam à internet, sendo assim, diferentemente de Felpi, nem chegam a ver as aulas.

Portanto, tendo em vista os argumentos supracitados, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério de Ciências e Tecnologia, ofereça acesso à internet e a tablets aos estudantes de escolas e universidades públicas. Tal plano estratégico deve atender às regiões mais pobres, pois somente assim os aprendizes com rendas familiares baixas poderão ter acesso à internet,  ter a mínima interação social e serão plenamente educados, nesse ou em outros possíveis cenários.