Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 13/09/2020

De acordo com a Constituição de 1988, a educação é direito de todos os cidadãos e é dever do Estado assegurá-la. Contudo, com o novo Covid-19, esse direito se tornou falho, já que milhares de crianças e adolescentes que foram afastados das escolas não conseguem ter acesso ao ensino à distância. Assim, percebe-se que esse impasse está vinculado não só a desigualdade social, mas também à ineficácia do Estado em promover políticas públicas eficientes para capacitar os educadores.

Em primeira análise, a evidente disparidade socioeconômica entre os alunos apresenta íntima relação com o problema. Segundo dados divulgados pela Ipea em 2020, apenas 42% das classe “D” e “E” possuem acesso à internet no Brasil. Assim, se torna claro que com o atual afastamento dos estudantes  junto a precária situação de renda, os desafios o ensino à distância se intensificam. Nesse viés, vê-se que a democratização da educação não está sendo efetuada, visto que para isso, é de extrema necessidade que mais alunos tenham a possibilidade de se conectar às redes de comunicação.

Ademais, a falta de investimentos em projetos que capacitem os professores ao temporário meio de ensino acentua o impasse. No filme “Escritores da Liberdade” de 2007, é contada a história de uma professora que cria diversos métodos para que consiga incluir todos os estudantes e incentivá-los a estudar. Semelhante a isso, mesmo com as tentativas dos educadores brasileiros, não é possível garantir uma educação de qualidade sem os incentivos do governo. Com isso, o papel dos professores, que é ensinar e estimular o interesse aos estudos, não é realizado com êxito.

Verifica-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Para isso, faz-se imprescindível que o Estado junto a empresas privadas, por intermédio de questionários socioeconômicos, identifique alunos de baixa renda para que possam ser distribuídos pacotes de internet aos que necessitam, com a finalidade de assegurar que um maior número de estudantes assistam às aulas. Além disso, o governo de cada município deve, através de palestras e cursos, instruir professores de redes públicas a como encaminhar as aulas utilizando as ferramentas disponíveis, para que assim consigam encontrar novas técnicas que integrem o máximo de estudantes no ensino à distância.