Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira

Enviada em 09/09/2020

Ulysses Guimarães, ao discursar sobre a Constituição de 1988, chamou-a de cidadã em razão da visibilidade dados aos direitos da população brasileira. Nesse sentido, prevê-se em seu artigo 205 o direito à educação enquanto direito crucial para o pleno desenvolvimento do indivíduo. Entretanto, tal conjuntura fica restrita à lei, pois a pandemia de coronavírus em 2020 não só desvelou a desigualdade de acesso ao ensino, como também a acentuou, o que resulta em impactos na educação do país. Nesse contexto, a pandemia exigiu rápida adaptação às formas virtuais de aprender e interagir, porém, na prática, a ação não ocorreu de maneira homogênea, devido às diferenças entre o ensino público e privado e ao sistema educacional ultrapassado.

De fato, segundo a concepção do filósofo francês Pierre Bourdieu, as escolas, de forma geral, funcionam como espaço de reprodução das desigualdades sociais, ou seja, existe uma correlação entre as desigualdades sociais e escolares. Nesse viés, o desnível entre escolas públicas e privadas é notório, uma vez que durante a pandemia, escolas públicas possuíram maior dificuldade em ofertar o ensino à distância e seus alunos em acompanharem as aulas remotas. Além disso, impasses relacionados à falta de internet e capacitação de professores e discentes para utilizarem plataformas tecnológicas, agravaram a situação, pois impediram que muitos jovens pudessem ter contato com qualquer tipo de ensino.

Ademais, é imprescindível que as instituições de ensino passem por mudanças e se adequem ao novo contexto mundial, sobretudo após a pandemia. Com efeito, o escritor israelense Yuval Noah Harari em seu livro “21 lições para o século 21”, defende que as escolas devem enfatizar habilidades para propósitos genéricos da vida, como lidar com mudanças, ter resiliência e preservar o equilíbrio mental. Em vista disso, o período de isolamento social salientou a necessidade de investimento em conhecimento intrapessoal, ou seja, desenvolver inteligência emocional para lidar com cenários sem precedentes.

Dessa maneira, conforme o exposto, cabe ao Ministério da Educação, através de parcerias com a iniciativa privada, prover internet, ferramentas digitais e capacitação às parcelas mais vulneráveis da sociedade, para que os estudantes possam ter a oportunidade de se desenvolverem e aprenderem. Assim, novas formas de ensino alinhadas à tecnologia, à dinâmica social após a pandemia e ao acesso universal permitirão que a Constituição seja seguida na prática e o direito à educação garantido.