Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 08/09/2020
A educação brasileira costuma ter muitos obstáculos, inclusive o próprio Estado, como Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, disse “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. Entretanto, neste ano houve um desafio maior, o qual tem mudado radicalmente a estrutura educacional no país: a pandemia de COVID-19. Nesse contexto, os impactos nessa questão são de cunho econômico e emocional.
Primeiramente, é importante ressaltar que a educação no Brasil é desigual e essa discrepância vai piorar diante do cenário atual, devido à necessidade de se aplicar um ensino remoto totalmente dependente de recursos tecnológicos. Isso é perceptível, pois, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 42% das classes “D” e “E” está conectada, sendo que 30% são da zona rural. Além disso, uma pesquisa do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) aponta que 79% dos estudantes têm acesso à internet, mas 46% acessam apenas pelo celular, o que dificulta a participação em aulas e a execução de determinadas atividades. Assim, é notório que a parcela da sociedade que estuda em escola pública, a qual se sabe que é defasada, e indivíduos de baixa renda não têm a mesma oportunidade de estudo nem o mesmo acesso aos conteúdos a serem estudados em comparação a pessoas da classe A, B ou C, por exemplo, prejudicando-os ainda mais.
Outrossim, é imprescindível destacar o impacto da pandemia na educação no que tange ao emocional dos estudantes. Por esse viés, sabe-se que a pandemia de COVID-19 é uma questão de saúde pública, pois é uma doença que pode acometer qualquer pessoa, por isso as recomendações de ficar em casa, consequentemente evitando a ida à escola. Dessa forma, muitas crianças perdem seu direito à alimentação, já que, às vezes, algumas vão ao colégio principalmente por essa razão, o que gera ansiedade decorrente da preocupação com a refeição do dia. Ademais, segundo uma pesquisa do Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), 30% dos jovens entrevistados (aproximadamente 33 mil) pensam em deixar a escola e 49% pensam em desistir do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), pois não possuem equilíbrio emocional para estudar, nem organização suficiente e disciplina para estudar sozinho. Isso demonstra o impacto na saúde mental dos indivíduos.
Diante do exposto, é evidente que a pandemia impactou a educação brasileira em diversos aspectos. Assim, para mudar essa realidade, o governo federal deve aumentar o acesso à aulas e materiais aos alunos de baixa renda, por meio da liberação de locais com acesso seguro, como lan houses com proteção contra o vírus, ou instalação de wifi nas ruas e em locais públicos, a fim de garantir oportunidade a quem mais necessita.