Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 08/09/2020
No filme sul coreano “Parasita”, de 2019, há uma abordagem sobre o marcante contraste social presente no mundo atual, ao colocar em conflito duas famílias de realidades muito diferentes. O longa-metragem impressiona ao mostrar os privilégios da classe alta, em oposição a vida miserável das classes baixas. No Brasil, essa desigualdade se mostrou evidente durante a epidemia do Coronavírus, em que direitos sociais básicos como educação de qualidade ficaram restritos aqueles que tem condição de pagar pelo ensino privado, fato que acentua ainda mais o desequilíbrio social.
Primeiramente, é importante destacar que em tempos de crise, como é o caso da quarentena estabelecida por causa de uma epidemia, torna-se necessário uma adaptação em todas as áreas, como é o caso da educação. Nessa situação, a saída foi o ensino a distância (EAD), que tem como principal instrumento a internet, e para que essa modalidade educacional funcione plenamente, é preciso que a conexão alcance toda a população. Entretanto, essa não é a realidade de um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que mostrou que 58% das classes mais baixas não estão conectadas a internet, e que, dos estados que estão fazendo monitoramento do ensino remoto, 60% notou uma gigantesca ausência do ensino público.
Todos esses dados ocorrem em consequência da falta de estrutura e de formação adequada dos professores da rede pública, que não recebem uma capacitação para operar em ferramentas tecnológicas. Desse modo os professores não conseguem fazer um acompanhamento adequado de seus alunos e, estes, muitas vezes, além de não possuírem amplo acesso a internet, não dispõem de um ambiente adequado para estudos, como um espaço silencioso com computador. Assim sendo, cria-se uma lacuna na aprendizagem desses indivíduos em desrespeito ao artigo 205 da Constituição Federal, que afirma que a educação de qualidade é um direito de todos e dever do Estado, visando o preparo da pessoa para o exercício da cidadania e sua qualificação profissional.
Portanto, é notório a necessidade de se buscar uma igualdade educacional no Brasil. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação promova investimentos na qualificação de docentes da esfera pública, para que estes consigam dominar instrumentos tecnológicos no intuito de levar o ensino a distância de qualidade para todos. Além disso, é essencial que o Estado proporcione um barateamento dos recursos tecnológicos para alunos da rede pública, facilitando seu acesso a computadores com internet através de subsídios sob comprovação de baixa renda. Dessa forma, com um governo operante, profissionais aptos e alunos com condições mínimas de estudo, a educação no país poderá caminhar rumo ao equilíbrio, independente de classe social.